A Justiça federal da Argentina decidiu nessa quinta-feira (9) revogar os sigilos bancário, fiscal e financeiro de Manuel Adorni , atual chefe de gabinete do presidente Javier Milei . Adorni é investigado por suspeita de enriquecimento ilícito.
A medida foi determinada pelo juiz federal Ariel Lijo e também se estende à esposa de Adorni, Bettina Angeletti, além da empresa AS Innovación Profesional, da qual ambos são proprietários. A quebra dos sigilos havia sido solicitada pelo procurador Gerardo Pollicita, responsável pelo caso.
Segundo o Ministério Público, o objetivo é analisar a evolução patrimonial do chefe de gabinete desde 1º de janeiro de 2022, período anterior à sua entrada no governo, quando ainda não ocupava cargo público. A investigação busca identificar possíveis inconsistências entre os bens declarados e a renda.
Suspeitas envolvendo imóveis
De acordo com informações divulgadas pela imprensa argentina, Adorni é investigado por transações imobiliárias envolvendo ao menos dois imóveis que não teriam sido declarados oficialmente. Um deles seria uma casa em condomínio fechado na cidade de Exaltación de la Cruz, e o outro um apartamento localizado no bairro de Caballito, em Buenos Aires.
O próprio Adorni confirmou residir no apartamento na capital argentina. Posteriormente, foi divulgado que o imóvel teria sido adquirido em novembro de 2025 por cerca de US$ 230 mil. A operação chamou atenção porque, segundo as investigações, duas aposentadas que venderam o imóvel também teriam emprestado US$ 200 mil ao chefe de gabinete para viabilizar a compra — valor que corresponde a quase 90% do total.
Viagens e novos questionamentos
As investigações ganharam força após a divulgação de que Bettina Angeletti acompanhou uma comitiva oficial do governo argentino em viagem a Nova York, mesmo sem ocupar cargo público.
Outro episódio que levantou suspeitas foi a divulgação de um vídeo que mostra Adorni e familiares embarcando em um avião particular com destino a Punta del Este. A viagem teria custado cerca de US$ 10 mil, e a origem dos recursos utilizados ainda não foi esclarecida.
Defesa
O chefe de gabinete nega qualquer irregularidade. “Construí meu patrimônio antes de entrar para o governo. Não tenho nada a esconder”, afirmou recentemente em entrevista coletiva.
Adorni também declarou que mantém padrões de transparência e rebateu críticas, afirmando que não aceitará questionamentos éticos de políticos que, segundo ele, “viviam às custas do Estado”.