A Justiça da Espanha indiciou a empresária Begoña Gómez, mulher do primeiro-ministro Pedro Sánchez , pelos crimes de corrupção, tráfico de influência e peculato.
A decisão foi tomada pelo juiz Juan Carlos Peinado, que encerrou uma investigação de dois anos. Segundo o magistrado, há indícios de que Gómez teria utilizado a posição do marido para obter vantagens pessoais. Também foram indiciados uma assessora e um empresário ligados ao caso.
De acordo com a decisão, a empresária é acusada de usar a influência política no Palácio da Moncloa para gerir uma cadeira acadêmica na Universidade Complutense de Madri. Em documento de 39 páginas, o juiz afirmou que as práticas identificadas remetem a “regimes absolutistas”. Todos os acusados negam as irregularidades.
Pressão sobre o governo
O indiciamento ocorre em um momento delicado para o governo espanhol. O irmão do premiê, David Sánchez, também deverá enfrentar julgamento no próximo mês, acusado de tráfico de influência por supostamente ter sido beneficiado com um cargo público.
Além disso, o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, considerado aliado próximo de Sánchez, responde a acusações de desvio de recursos públicos durante a pandemia, em um caso que envolve a compra de equipamentos médicos. A promotoria pede 24 anos de prisão.
Pedro Sánchez classificou o processo como perseguição política e afirmou confiar na Justiça, embora tenha levantado questionamentos sobre a imparcialidade de parte do Judiciário espanhol. O premiê também acusou adversários e setores da imprensa de tentarem enfraquecer seu governo por meio de denúncias contra sua família.
A investigação teve início a partir de uma denúncia apresentada pelo grupo Manos Limpias, organização que atua no acompanhamento de casos de corrupção no país. Os acusados têm prazo de cinco dias para recorrer da decisão. Após esse período, a Justiça decidirá se Begoña Gómez será levada a julgamento por júri popular.