O Pentágono avalia possíveis medidas contra países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que não apoiaram os Estados Unidos durante a guerra contra o Irã. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (24) pela agência Reuters e revela o descontentamento de Washington com a postura de alguns parceiros europeus durante o conflito, que atualmente está em cessar-fogo.
De acordo com a reportagem, um e-mail interno do Departamento de Defesa dos EUA demonstra frustração com a recusa ou resistência de alguns aliados em conceder acesso a bases militares, espaço aéreo e direitos de sobrevoo para operações americanas contra o Irã.
Entre as possibilidades discutidas estaria até mesmo a suspensão da Espanha da Otan. Embora a medida tenha impacto militar limitado, o documento aponta que ela teria forte peso simbólico e político.
Outra alternativa considerada seria rever o apoio diplomático dos Estados Unidos a territórios ultramarinos ligados a antigas potências europeias, como as Ilhas Malvinas, arquipélago britânico reivindicado pela Argentina desde a guerra travada entre os dois países nos anos 1980.
Desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, o Reino Unido e a Espanha adotaram posturas distintas em relação ao uso de suas estruturas militares. O governo britânico inicialmente autorizou apenas operações defensivas em suas bases, mas depois ampliou a permissão para ações ofensivas.
Já a Espanha, comandada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, proibiu voos militares americanos ligados ao conflito em seu espaço aéreo e também vetou o uso das bases de Rota e Morón por aeronaves dos Estados Unidos.
Em resposta, o presidente Donald Trump ameaçou endurecer as relações comerciais com os espanhóis. Trump também já havia criticado a Espanha por não aceitar a meta da Otan de investir ao menos 5% do PIB em defesa até 2035, sugerindo até sua expulsão da aliança.
Apesar disso, a própria Otan afirmou nesta sexta-feira que seu tratado fundador não prevê mecanismos de suspensão ou expulsão de países-membros.
Pedro Sánchez minimizou a repercussão da reportagem e afirmou que o governo espanhol trabalha com base em documentos oficiais, e não em e-mails vazados. Segundo ele, a Espanha mantém colaboração total com os aliados dentro dos limites da legalidade internacional.
O governo britânico também reagiu e reforçou que os Estados Unidos seguem apoiando a soberania do Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos.
Em 2013, um referendo realizado com moradores do arquipélago mostrou que 99,8% dos habitantes preferiam continuar como território ultramarino britânico, rejeitando a incorporação pela Argentina.