O presidente de transição de Burkina Faso, capitão Ibrahim Traoré, afirmou que a população do país precisa “esquecer” a democracia, em mais um sinal de afastamento de modelos políticos ocidentais em uma das regiões mais instáveis do mundo.
Em entrevista exibida pela televisão estatal, o militar de 38 anos, que está no poder desde o golpe ocorrido em 2022, declarou que a democracia “mata” e não seria adequada à realidade do país.
Segundo Traoré, grande parte dos africanos não deseja esse sistema, defendendo a adoção de uma “abordagem própria”. No entanto, ele não detalhou qual modelo político pretende implementar.
O líder havia prometido devolver o poder a um governo civil até julho de 2024, mas, dois meses antes do prazo, a junta militar anunciou a permanência no comando por mais cinco anos.
Em janeiro, o regime também determinou a suspensão de todos os partidos políticos, sob o argumento de “reconstrução do Estado”. Na entrevista, Traoré classificou as legendas como estruturas “divisivas e perigosas”, incompatíveis com o que define como um projeto revolucionário.
“A verdade é que a política na África — ou pelo menos o que vivemos em Burkina — é que um verdadeiro político é alguém que encarna todos os vícios: mentiroso, bajulador, um grande conversador”, afirmou.
Traoré defende a criação de um sistema baseado em “soberania, patriotismo e mobilização revolucionária”, com papel central para lideranças tradicionais e estruturas comunitárias. Apesar disso, não apresentou uma alternativa institucional clara à democracia multipartidária.
O militar também fez críticas diretas ao Ocidente, afirmando que, onde potências ocidentais tentam “implantar a democracia”, há aumento da violência e instabilidade.