Uma decisão da Justiça norte-americana deve intensificar a apuração sobre possíveis ativos vinculados ao Banco Master fora do Brasil. O Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida autorizou a EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação da instituição, a avançar na coleta de informações em território estrangeiro.

O juiz Scott Grossman deu sinal verde para a maior parte dos pedidos feitos pela EFB, permitindo a expedição de intimações a diversos setores, como galerias de arte, casas de leilão e empresas do mercado de luxo. O banqueiro Daniel Vorcaro também está entre os alvos das diligências, que buscam identificar eventuais bens não declarados.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Banco Master

Ao todo, 16 entidades foram incluídas na investigação, classificadas como “Partes de Congelamento de Ativos”. A estratégia é mapear movimentações financeiras e rastrear patrimônios que possam ter sido ocultados, inclusive por meio de terceiros ligados ao banqueiro ou às empresas envolvidas.

Base legal e contestação da defesa

Na decisão, Grossman destacou que a legislação brasileira permite a investigação de controladores, sobretudo quando há suspeita de confusão entre bens pessoais e os da empresa em liquidação. Segundo ele, essas partes podem estar sujeitas a bloqueios automáticos determinados pelo Banco Central.

A defesa de Vorcaro tentou barrar a medida, alegando falta de objetividade nos pedidos e possível violação de privacidade. No entanto, o magistrado avaliou que não houve justificativa suficiente para impedir o acesso às informações solicitadas, nem comprovação de prejuízo concreto aos direitos do investigado.

Restrições pontuais

Apesar de autorizar a maior parte das medidas, o juiz acolheu parcialmente um argumento da defesa ao aplicar a chamada “regra do processo pendente”. Esse entendimento limita investigações paralelas quando já existe ação judicial em andamento sobre determinado bem.

Sem anúncio no momento

A restrição atinge, por exemplo, a apuração envolvendo uma mansão avaliada em cerca de US$ 32 milhões na Flórida, supostamente ligada a Vorcaro. Nesse caso, a EFB já move ação contra a empresa Sozo Real Estate Inc., além de familiares do banqueiro, o que obriga o cumprimento de critérios mais rígidos para a produção de provas.

Possível recuperação de ativos

Outro ponto levantado no processo é a tentativa de aplicação do chamado constructive trust. O mecanismo jurídico permite que bens registrados em nome de terceiros sejam revertidos ao verdadeiro titular, caso fique comprovado que houve tentativa de ocultação ou uso indevido de patrimônio.

Com a decisão, a EFB ganha respaldo para ampliar o rastreamento internacional de ativos, em uma tentativa de recompor a massa falida do Banco Master e esclarecer a destinação de recursos possivelmente desviados.