O governo do presidente Donald Trump avalia adotar medidas contra países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que não deram apoio aos Estados Unidos no conflito com o Irã. Entre as possibilidades em estudo está a retirada de tropas americanas desses territórios, com posterior envio para nações consideradas mais alinhadas à estratégia de Washington. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (8) pelo jornal The Wall Street Journal.
De acordo com a reportagem, a proposta ainda está em estágio inicial, mas já circula entre membros do alto escalão da Casa Branca e tem ganhado força nas últimas semanas. A ideia seria reduzir a presença militar em países vistos como pouco colaborativos durante a guerra no Oriente Médio — como Espanha, Alemanha e Reino Unido — e reforçar o efetivo em aliados que demonstraram maior apoio.
Ainda segundo o jornal, não há previsão de uma saída completa dos Estados Unidos da aliança, medida que já foi mencionada por Trump em outras ocasiões e que dependeria de aval do Congresso. Mesmo assim, o plano sinaliza um endurecimento nas relações entre Washington e parte dos parceiros europeus.
O movimento ocorre em meio a tensões crescentes entre os EUA e integrantes da Otan após o início do conflito com o Irã. Atualmente, cerca de 84 mil militares americanos estão posicionados em solo europeu, em bases consideradas estratégicas tanto para operações internacionais quanto para conter a influência da Rússia. Uma eventual redistribuição dessas tropas pode impactar esse cenário.
Países do leste europeu, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia, aparecem como possíveis destinos para o reforço militar, por terem demonstrado maior alinhamento com os EUA durante o conflito e apoio a ações ligadas à segurança no Estreito de Ormuz.
O plano também pode envolver o fechamento de ao menos uma base militar na Europa, possivelmente localizada na Espanha ou na Alemanha, conforme fontes ouvidas pela publicação.
A proposta foi debatida no mesmo período em que o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, esteve em Washington para reuniões com Trump, em um contexto de تلاش para manter a cooperação entre os países apesar das divergências recentes.