O documento divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação sobre trabalho forçado, sugere a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% ao Brasil. No texto, o órgão cita o avanço das exportações brasileiras de carne congelada para a China como uma suposta “concorrência desleal” em relação aos produtos norte-americanos, associando o crescimento a possíveis casos de trabalho forçado.
Segundo o relatório, as exportações de carne congelada do Brasil para os mercados analisados pelo USTR praticamente dobraram entre 2015 e 2025. No mesmo período, as vendas dos Estados Unidos tiveram alta de apenas 21%. O documento também afirma que as exportações brasileiras teriam crescido mais de 17 vezes ao longo do período (2015-2025), superando com folga o desempenho das vendas norte-americanas.
Outro ponto levantado pelo USTR diz respeito às dificuldades de rastreamento de possíveis casos de trabalho forçado na cadeia da carne bovina brasileira, em razão do que o órgão chamou de “lavagem de gado”, embora sustente que isso não impede suas conclusões.
“No entanto, o fato de tais dificuldades existirem não invalida a conclusão deste Relatório de que as exportações dos EUA de carne bovina congelada, produzidas de forma legítima para a China, foram afetadas negativamente pela concorrência de carne bovina sob risco de trabalho forçado proveniente do Brasil”, diz o relatório do USTR.
O órgão norte-americano reconhece ainda que fatores como o tamanho do rebanho dos Estados Unidos e tarifas impostas pela China em 2019 podem ter influenciado a disputa comercial. Apesar disso, sustenta que, caso houvesse uma proibição ligada ao trabalho forçado, as exportações dos EUA para o mercado chinês teriam sido maiores.
No cenário do agronegócio, as exportações brasileiras para a China ultrapassaram US$ 50 bilhões no ano passado. Na última terça-feira, o governo chinês reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa, o que deve ampliar ainda mais as vendas de carne bovina, inclusive de produtos como carnes com osso e miúdos. O USTR concluiu na terça-feira (02) a investigação sobre trabalho forçado que envolveu 60 países, entre eles o Brasil.
De acordo com o relatório, 54 economias não conseguiram implementar de forma eficaz medidas para impedir a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado em seus mercados, grupo no qual o Brasil está incluído. O órgão argumenta que essas falhas gerariam uma vantagem competitiva injusta em relação às exportações dos Estados Unidos, que, segundo o documento, não estariam associadas a esse tipo de prática. A nova proposta tarifária foi apresentada um dia após o escritório americano recomendar uma taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de outra investigação que questiona o sistema de pagamentos Pix.