A China passou a cobrar uma sobretaxa de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem a cota anual estabelecida para cada país, medida que já afeta as exportações brasileiras e levou frigoríficos a anunciar férias coletivas e redução de turnos de abate. A salvaguarda comercial entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e elevou para 67% a alíquota incidente sobre o volume exportado acima do limite definido para o Brasil.

A medida foi anunciada em dezembro de 2025 pelo Ministério do Comércio da China, após um pedido da Associação Chinesa de Agricultura Animal. A entidade alegou que o aumento das importações vinha prejudicando os pecuaristas locais. Com isso, o governo chinês adotou uma política de proteção ao mercado interno, limitando o volume de carne estrangeira sujeito apenas à tarifa regular de importação.

Foto: Reprodução/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
China suspende importação de carne de três frigoríficos brasileiros

Para o Brasil, a cota anual isenta da sobretaxa foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse limite, permanece a tarifa de importação de 12%. Já o excedente passou a ser tributado com mais 55%, elevando a carga total para 67%. O setor de carnes considera esse percentual inviável para a maior parte dos cortes exportados. Em 2025, o Brasil embarcou 1,68 milhão de toneladas para a China, volume cerca de 35% superior ao teto estabelecido para este ano.

Segundo análise da consultoria StoneX, o Brasil chegou neste mês a 98,5% da cota preenchida, considerando os embarques realizados até o fim de junho. O restante deve ser esgotado em agosto, levando em conta o tempo necessário para que a carga enviada do Brasil chegue aos portos chineses. Com isso, o país deverá perder competitividade no principal mercado comprador da carne bovina brasileira até o início do novo ciclo anual de cotas, em 2027.

As cotas anuais definidas pela China permanecerão em vigor até 2028. Enquanto isso, os efeitos da medida já começaram a atingir a indústria frigorífica brasileira. Empresas do setor anunciaram férias coletivas e reduziram os turnos de abate durante os meses de julho e agosto, em razão da limitação das exportações ao mercado chinês.

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