O Vaticano declarou que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) está em cisma e anunciou a excomunhão automática dos seis bispos envolvidos na consagração de quatro novos prelados sem autorização do Papa Leão XIV. A cerimônia foi realizada em 1º de julho, apesar de repetidos pedidos da Santa Sé para que o grupo desistisse do ato, considerado pelo direito canônico uma desobediência direta à autoridade do pontífice.
A FSSPX foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e se tornou conhecida pela defesa da celebração tradicional da Missa em latim e pela oposição a várias decisões do Concílio Vaticano II. Segundo a própria fraternidade, seu princípio é dedicar-se ao sacerdócio e às atividades relacionadas a ele. O grupo também mantém priorados, capelas, missões e seminários em diversos países, além de reunir centenas de sacerdotes e seminaristas.
O episódio remete ao ocorrido em 1988, quando Lefebvre consagrou quatro bispos em Écône, na Suíça, sem autorização do Papa João Paulo II. Na ocasião, o Vaticano também decretou excomunhões. Em seu documento Ecclesia Dei, João Paulo II afirmou que não era possível manter a fidelidade à tradição católica rompendo a comunhão com o sucessor de São Pedro, responsável pelo ministério da unidade da Igreja.
Anos depois, o Papa Bento XVI retirou a excomunhão dos bispos da FSSPX, mas esclareceu que a fraternidade não possuía status canônico e que seus ministros não exerciam ministérios legítimos na Igreja. Já o Papa Francisco autorizou, inicialmente durante o Jubileu da Misericórdia de 2015 e 2016 e depois de forma permanente, a validade das confissões realizadas por sacerdotes do grupo. Em 2017, também permitiu que bispos diocesanos autorizassem sacerdotes da fraternidade a testemunhar casamentos.
Após as novas consagrações, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou orientações para receber sacerdotes que decidirem deixar a FSSPX. O procedimento prevê uma carta escrita ao papa solicitando a remissão da excomunhão, apresentação do certificado de ordenação e uma profissão de fé, seguida de um período probatório de um a três anos. Para os fiéis leigos, a Santa Sé informou que eventuais penalidades serão analisadas individualmente. Embora as missas celebradas pela fraternidade sejam consideradas válidas, autoridades da Igreja vêm desencorajando sua participação, salvo em situações consideradas graves.