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Internacional

Direita é favorita nas eleições deste domingo (10) na Bolívia

Segundo o Instituto Ipsos-Ciesmori, Samuel Doria Medina lidera as intenções de voto com cerca de 21%.

A Bolívia vai às urnas neste domingo (10) em meio à crise econômica e um cenário político inédito desde 2005: o ex-presidente Evo Morales, figura central da política nacional por quase duas décadas, não concorrerá. A ausência do líder histórico do Movimento ao Socialismo (MAS) ocorre em um momento de forte incerteza, alto índice de indecisos e pesquisas que apontam vantagem para nomes da direita.

Segundo levantamento do instituto Ipsos-Ciesmori, Samuel Doria Medina lidera as intenções de voto com cerca de 21%, seguido de perto por Tuto Quiroga, com 19%. Na terceira posição aparece Manfred Reyes Villa, com pouco mais de 8%. Os três candidatos têm perfil alinhado à direita.

Foto: DivulgaçãoSamuel Doria Medina
Samuel Doria Medina

A esquerda está representada por Andrónico Rodríguez, que registra 6,1% nas pesquisas. Ex-aliado de Morales, ele rompeu com o ex-presidente e com o MAS, partido que comandou o país por quase 20 anos. Já a candidatura governista, encabeçada por Eduardo del Castillo, ex-ministro do atual presidente Luis Arce, aparece nas últimas colocações, com pouco mais de 2%. Arce optou por não buscar a reeleição após queda de popularidade e enfrenta uma crise interna no MAS, marcada por embates públicos com Morales.

Colapso energético e crise fiscal

A disputa eleitoral acontece em meio a um colapso energético. Desde 2014, a produção de gás e petróleo vem caindo, provocando escassez de combustíveis e forçando a importação de energia de países vizinhos, como o Brasil. Apesar do preço interno baixo — mantido por subsídios que custam cerca de US$ 3 bilhões por ano —, as receitas com exportações despencaram devido à queda nos preços internacionais.

Essa política pressionou as contas públicas, resultando na redução das reservas internacionais, aumento do déficit fiscal e inflação projetada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 15,1% para 2025, a maior desde 2008. Todos os principais candidatos reconhecem a necessidade de reformas para equilibrar o orçamento e conter a escalada de preços.

Voto nulo e possibilidade de segundo turno

Sem Morales na disputa, movimentos de sua base mais fiel têm incentivado o voto nulo. Estimativas indicam que até 15% do eleitorado pode seguir essa orientação.

Caso as pesquisas se confirmem, a Bolívia poderá ter, pela primeira vez desde 2005, um segundo turno presidencial, previsto para 19 de outubro — possivelmente entre dois candidatos de direita. O desfecho, no entanto, dependerá do posicionamento dos indecisos, que ainda representam uma fatia significativa dos eleitores.

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