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Para conter Delta, Israel pede volta ao home office e restrições

Medidas fazem parte de uma série de restrições que o governo considera essenciais para evitar quarentena.
Por Estadão Conteúdo

As autoridades de Israel pediram que as empresas retornem ao regime de home office para ajudar o país no combate ao surto de covid-19 provocado pela variante Delta. A medida faz parte de uma série de restrições anunciadas na terça-feira, que o governo disse serem essenciais para evitar novas quarentenas.

A força-tarefa antipandemia do país fez um apelo para que a população pare de “apertar as mãos e dar beijos e abraços”. O governo também tornou obrigatória a apresentação do passaporte da vacina para entrar em ambientes que comportem menos de 100 pessoas. O passe é concedido para quem já se inoculou, testou negativo ou contraiu a doença recentemente.

Em espaços abertos com capacidade superior a 100 pessoas, o uso de máscara será obrigatório. O governo também limitará em 50% o número de funcionários em repartições públicas:

“Nosso objetivo é manter Israel aberta e, ao mesmo tempo, evitar uma situação de lotação de hospitais e falta de leitos”, disse o primeiro-ministro do país, Naftali Bennett, afirmando que sabem a hora de “acionar o freio” caso seja necessário. “Para evitar restrições mais duras, vamos nos vacinar, usar máscaras e manter o distanciamento.”

As medidas foram decididas em uma reunião do Gabinete realizada na noite de ontem. Horas antes, um funcionário do Ministério da Saúde já havia antecipado ao jornal Haaretz que o acirramento das restrições era iminente após o governo anunciar que esperava ver os casos graves de Covid-19 quadruplicaram nos próximos 20 dias se nada fosse feito.

Mais 3.280 novos casos de covid-19 foram registrados nas últimas 24 horas. Do total, 236 pessoas apresentavam sintomas graves da doença, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. Não se sabe ao certo quantas destas pessoas estavam vacinadas, mas nas últimas semanas as complicações vinham ocorrendo majoritariamente em pessoas não vacinadas.

Mais de 62% dos israelenses estão totalmente vacinados contra o vírus, em sua maioria com doses da Pfizer-BioNTech, de acordo com dados do site Our World in Data. Assim como a Alemanha, o país é um dos que já aplica doses de reforço na população com mais de 60 anos ou com comorbidades, afirmando que a efetividade das duas doses cai com o tempo e a terceira injeção serve para reforçar a resposta imunológica.

Nesta quarta, contudo, a Organização Mundial da Saúde fez um apelo para que a aplicação da terceira dose seja suspensa até pelo menos o fim de setembro para ajudar todos os países a vacinarem ao menos 10% de suas populações. Em uma entrevista coletiva, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que isso é necessário para fazer frente à disparidade global na vacinação.

“Eu entendo a preocupação de todos os governos de protegerem suas populações da variante Delta”, disse Tedros. “Mas nós não podemos, e não devemos, aceitar que países que já usaram a maior parte do estoque global de vacinas usem ainda mais doses, enquanto a maior parte das pessoas vulneráveis continuam desprotegidas.”

Das mais de 4 bilhões de vacinas aplicadas no mundo até o momento, mais de 80% foram usadas em países ricos ou de renda média-alta, segundo o diretor. Os países mais ricos administraram cerca de 100 doses para cada 100 pessoas, enquanto nos mais pobres, a taxa é de 1,5 dose para 100 pessoas. O governo de Israel ainda não comentou o apelo da OMS.

Em mais uma ação para conter o avanço da Delta, o país determinou que todos os viajantes oriundos de 18 países façam uma quarentena obrigatória ao desembarcarem em território israelense, independentemente do status de vacinação. Entre as nações que ficarão sujeitas às restrições, que começarão a valer em 11 de agosto, estão França, Alemanha, Itália, Grécia e Estados Unidos.

Também na terça-feira, o ministro da Defesa, Benny Gantz, convocou mil reservistas para ajudar o Exército na contenção da pandemia.

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