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Ministros do Equador renunciam e agravam crise política

Saídas acontecem logo após o fim dos protestos de indígenas no país, que pressionaram o governo.
Por Estadão Conteúdo

Quatro ministros do governo de Guillermo Lasso, no Equador, pediram a renúncia dos cargos nesta terça-feira, 5, e aumentaram a crise política. As saídas acontecem apenas uma semana depois do fim dos protestos de indígenas em todo o país, que pressionaram o governo contra o alto custo de vida.

Os ministros que renunciaram foram: Simón Cueva (Economia), Ximena Garzón (Saúde), Marcelo Cabrera (Transporte e Obras Públicas) e Alejandro Ribadeneira (Educação Superior). Os motivos das saídas não foram explicitados. Em nota, o presidente equatoriano agradeceu “aos funcionários pelos serviços leais e valiosos prestados no exercício de suas funções.”

Segundo um porta-voz da pasta de Economia disse à AFP, a saída de Cueva se deve a uma “decisão própria”, que foi tomada há “alguns meses”.

Cueva fazia parte do gabinete de Lasso desde o início do governo e se caracterizou por manter uma rígida disciplina fiscal e sólidos fundamentos macroeconômicos, incluindo uma reforma tributária para aumentar a receita. Com isso, procurou cumprir as metas do programa de crédito que o Equador mantém com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 6,5 bilhões, dos quais US$ 5,8 bilhões já foram desembolsados.

Entretanto, o cumprimento das metas fiscais se tornaram mais difíceis após o acordo feito o governo de Lasso e os indígenas, que incluem subsídios para reduzir o preço da gasolina. Ao todo, os benefícios irão custar US$ 700 milhões em um ano, segundo o governo equatoriano.

Acordos e perdas

As manifestações, que deixaram seis mortos e mais de 600 feridos, foram encerradas após a assinatura, na última quinta-feira, de uma “ata de paz” na qual o Executivo se comprometeu a reduzir em até 8% os preços dos combustíveis mais utilizados no país.

Com essa redução, que entrou em vigor na sexta-feira, o galão do diesel passou de 1,90 a 1,75 dólares e o de gasolina de 2,55 a 2,40 dólares, em meio a uma crise econômica causada por períodos de baixas no preço do petróleo - principal produto de exportação - e agravada pela pandemia de covid-19.

O acordo também incluem medidas de aumento de um bônus de assistência aos mais pobres, subsídios para insumos agrícolas e o perdão de dívidas com entidades públicas de até 3 mil dólares. O Executivo também revogou um decreto para a entrega de novos campos de petróleo, que era um pedido da Conaie.

Entre os compromissos, a administração de Lasso também deverá definir a canalização de mais subsídios para combustíveis do setor rural. As negociações sobre este e outros temas começarão na próxima quinta-feira com mediação da Igreja Católica, que também intercedeu para a assinatura do acordo que desativou os violentos protestos.

As manifestações, que duraram 18 dias, causaram prejuízos de cerca de um bilhão de dólares, boa parte no setor petroleiro, segundo o Banco Central.

A produção do Equador foi 520.000 barris por dia (bd) em 12 de junho, véspera do início dos protestos, que paralisaram mais de 1.000 poços na Amazônia. Durante quase três semanas de manifestações, a produção caiu a menos da metade.

A estatal Petroecuador relatou que dos 1.000 poços somente 82 continuam fechados. No domingo, a produção total do Equador alcançava 461.637 barris, segundo o Ministério de Energia. /AFP, EFE

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