Política

Após mal-estar, Bolsonaro conversa com Xi Jinping e diz que reforçou laços

Publicação de um dos filhos do presidente causou reações fortes da embaixada chinesa; Bolsonaro negou problemas com presidente do país asiático.

Por  Estadão Conteúdo
- atualizado

O presidente Jair Bolsonaro e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na manhã desta terça-feira, 24. O brasileiro disse, em uma rede social, que o contato reafirmou os “laços de amizade” entre os países e tratou de ações sobre o novo coronavírus e ampliação do comércio.

O telefonema ocorreu seis dias depois de uma crise diplomática causada pelo deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O filho do presidente fez uma publicação, na quarta-feira, 18, acusando a China de ter escondido informações sobre o início da pandemia do coronavírus.

“Agora, o presidente da China Sr. Xi Jinping e o Presidente do Brasil Sr. Jair Bolsonaro estão na ligação telefônica para trocar opiniões importantes tema de interesse comum”, escreveu o embaixador chinês no Twitter.

Bolsonaro também usou a rede social para falar do contato. “Nesta manhã , em ligação telefônica com o Presidente da China, Xi Jinping, reafirmamos nossos laços de amizade, troca de informações e ações sobre o covid-19 e ampliação de nossos laços comerciais”, diz publicação na rede social do presidente.

Na foto divulgada, Bolsonaro aparece ao lado do ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Tereza Cristina (Agricultura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). Também participa o secretário especial de Assuntos Estratégicos, Flávio Rocha.

Na semana passada, apesar da reação dura do embaixador chinês à publicação do filho e deputado federal, Bolsonaro negou que problemas com a China. "Não existe uma palavra contra a China desde que assumi o governo. Nosso relacionamento com Xi Jinping está excepcional, talvez até ligue para ele", afirmou o presidente.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Só em 2019, o país asiático comprou US$ 65,4 bilhões em produtos brasileiros.

Com a crise com Eduardo Bolsonaro, governadores brasileiros passaram a pedir socorro individualmente por meio da Embaixada da China no Brasil.

Entenda a crise

Na quarta-feira, 18, Eduardo Bolsonaro publicou um tuíte em que acusou a China de ter escondido informações sobre o início da pandemia do coronavírus. “A culpa é da China e liberdade seria a solução”, escreveu o deputado.

O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, respondeu as acusações de Eduardo e exigiu a retirada imediata das palavras do deputado e um pedido de desculpas ao povo chinês. A página da Embaixada da China no Brasil também cobrou explicações. Um tuíte publicado afirmava que Eduardo, ao voltar dos Estados Unidos, contraiu um “vírus mental” que está “infectando a amizade” entre os povos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG) pediram desculpas ao país asiático.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, saiu em defesa de Eduardo e afirmou que a posição do deputado não reflete a do governo brasileiro. Declarou também que a reação de Wanming foi "desproporcional" e feriu "a boa prática diplomática", e que aguardaria uma retratação do embaixador da China.

Diante das críticas, Eduardo Bolsonaro publicou uma nota em que disse que jamais ofendeu o povo chinês e que o Brasil não quer problemas com o país asiático.

"Jamais ofendi o povo chinês", escreveu Eduardo. "Esclareço que compartilhei postagem que critica a atuação do governo chinês na prevenção da pandemia, principalmente no compartilhamento de informações que teriam sido úteis na prevenção em escala mundial."