Economia e Negócios

Caixa reduz taxa de juros do cheque especial para 4,99% ao mês

Segundo o presidente do banco, Pedro Guimarães, decisão foi 'matemática' e não teve interferência do governo; para ele, instituições privadas podem ir na mesma direção.

Por  Estadão Conteúdo

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta segunda-feira, 12, redução de até 63% na taxa de juros do cheque especial, empurrando a mínima para 4,99% ao mês a partir de dezembro.

Segundo o presidente do banco, Pedro Guimarães, o corte não teve ingerência do governo de Jair Bolsonaro. "A redução foi matemática. Ainda assim teremos ganho", afirmou.

Apesar da redução, segundo o executivo, o juro do cheque especial continua alto e pode ser revisto em meio a eventual mudança na regulação do produto por parte do Banco Central, a instituição estuda permitir que os bancos passem a cobrar tarifas para o uso do cheque especial, seguindo uma prática adotada nos Estados Unidos, e que ajudaria a baixar os juros cobrados na modalidade.

Para Guimarães, a redução do juro do cheque especial pode atrair "centenas de milhares de clientes" para a Caixa. Se isso acontecer, acrescentou, os bancos privados também podem ir nessa direção.

Ele informou ainda que o banco está próximo de lançar uma empresa para atuar no microcrédito. Conforme Guimarães, o foco será crescer fora das agências bancárias.

Lucro aumentou

A Caixa infomou nesta terça que teve lucro líquido contábil de R$ 8 bilhões no terceiro trimestre, cifra 66,7% maior que um ano antes, de R$ 3,8 bilhões. De janeiro a setembro, o lucro foi de R$ 16,2 bilhões, aumento de 40,9% comparado o mesmo intervalo do ano passado.

O banco já vendeu, conforme nota à imprensa, mais de R$ 26 bilhões em ativos em 2019. Um deles foi a revisão da parceria nas áreas de Seguros Vida, Previdência e Prestamista com a francesa CNP Assurances no valor R$ 7,8 bilhões, 70% maior que o negociado em novembro de 2018. O banco lembra ainda que há mais oito negociações em seguros e duas em cartões em andamento.

A Caixa conseguiu reverter a tendência de queda da sua carteira de crédito no terceiro trimestre. Os empréstimos apresentaram leve alta de 0,1% ante o segundo trimestre, para R$ 683,186 bilhões. Em um ano, porém, a carteira encolheu 1,5%.

O crédito para habitação, segmento no qual o banco é líder, somava R$ 456,328 bilhões ao fim de setembro, alta de 0,9% em relação a junho e de 3,6% em um ano.

Empréstimos para pessoa física tiveram incremento de 0,9% no terceiro trimestre em relação ao segundo, para R$ 81,5 bilhões. Em um ano, teve queda de 4,2%. Na carteira de pessoa jurídica, ocorreram quedas de 5,0% e 29,7%, respectivamente.

PDV

Pedro Guimarães afirmou que existe demanda dos funcionários do banco por um novo programa de demissão voluntária (PDV), que atingiria de mil a 2 mil funcionários no próximo ano. Uma iniciativa nessa direção, conforme ele, ainda depende de aval da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais. Este ano, a Caixa já fez um PDV, que contemplou cerca de mil funcionários.

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