Piauí

Carlos Augusto critica decisões favoráveis a reprovados em testes

“Se eu tivesse a opção, eu não cumpriria, mas se eu não cumprir eles mandam até me prender", disse Carlos Augusto sobre reprovados em testes psicológicos.

Bárbara Rodrigues
Teresina
- atualizado

Em entrevista ao GP1, o comandante geral da Polícia Militar, o coronel Carlos Augusto, criticou as decisões da justiça brasileira que permitem que candidatos reprovados em testes realizados em concursos públicos da Polícia Militar possam assumir o cargo. Ele disse que, recentemente, teve que cumprir 22 decisões nesse sentido.

Tem sido recorrente casos de má conduta envolvendo policiais reprovados em etapas do concurso, como é o caso do soldado Dornel, que matou Emilly Caetano da Costa, de 9 anos, durante uma abordagem desastrosa. Ele foi reprovado em um teste psicológico, mas conseguiu na justiça o direito de assumir o cargo. A mesma situação, no que diz respeito a reprovação no teste psicológico, aconteceu com o capitão Allisson Wattson, que assassinou a estudante Camilla Abreu.

Quando um concurso público da Polícia Militar é realizado, o candidato, inicialmente, precisa passar pela prova objetiva e depois deve ser aprovado nas demais etapas para, enfim, tomar posse. Entre essas etapas está o teste de aptidão física e o teste psicológico. Segundo o coronel Carlos Augusto, a justiça tem permitido que candidatos reprovados nessas etapas possam assumir a vaga.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Coronel Carlos AugustoCoronel Carlos Augusto

“Hoje mesmo nós estamos fazendo a matrícula de quatro pessoas, porque chegou uma ordem da Justiça. Dois deles não passaram no teste físico e pegaram uma liminar, os quatro ficaram reprovados no psicotécnico e pegaram outra liminar e agora o juiz determinou que eles façam o curso de formação e a gente tem que fazer, eu não tenho outra opção. E nesse último concurso que eu fiz agora, na semana passada, ganharam uma liminar, no plantão do Tribunal de Justiça, 18 pessoas que ficaram reprovadas no psicológico. Nós somos obrigados a cumprir, é uma gravidade muito grande, mas nem recorrer eu posso, quem pode é a procuradoria do estado. Em todos os casos, é ela que recorre”, explicou.

O coronel disse que respeita o poder Judiciário, mas que não consegue entender como um candidato reprovado em um teste psicológico consegue uma liminar para poder assumir a vaga de concurso. Carlos Augusto afirmou que todos os testes são realizados por profissionais capacitados.

“Eu tenho um profundo respeito e entendo a grandeza do poder Judiciário, mas como cidadão eu vejo com muita tristeza, porque quem dá um laudo psicológico de uma pessoa é um profissional. É o psicólogo, que é formado para decidir, é ele quem assina. Acho uma interferência muito grande em outra profissão nesse caso, eu discordo plenamente das decisões, mas sou obrigado a cumprir. Lamento, porque também sofremos, também somos pais, também temos filhos, também vamos às ruas todos os dias, e quando tem um erro desse que afeta todo mundo, a gente não tem como resolver uma situação dessa procurando culpado. Agora o fato é que não é possível alguém ficar reprovado no exame psicológico e a corporação ter que arcar com um prejuízo desse tamanho assim”, criticou.

Ele ainda disse que se fosse possível, não cumpriria a decisão. “Se eu tivesse a opção, eu não cumpriria, mas se eu não cumprir eles mandam até me prender. Eu posso te dizer uma coisa, eu vejo as pessoas com meias palavras quando vai se cobrar o que cobram da Polícia Militar, em relação aos outros órgãos”, finalizou