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Chefe do tráfico do Alemão pode estar morto, ordem teria partido de Beira-Mar

Quatro corpos carbonizados foram encontrados nesta quarta-feira.

Do GP1

Fonte - Folha Online

A ida ao Rio do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, nesta semana, para participar de uma audiência na Justiça, pode ter provocado uma chacina no complexo de favelas do Alemão (zona norte) na terça-feira (16). Quatro corpos carbonizados foram encontrados nesta quarta-feira. A polícia suspeita que Antônio de Souza Ferreira, o Tota, o suposto chefe do tráfico do Alemão e o traficante mais procurado pela polícia do Rio, tenha morrido na chacina, fruto de uma disputa interna do CV (Comando Vermelho).

Cerca de 800 policiais civis e militares fazem nesta quarta-feira uma megaoperação nas favelas do complexo para checar as denúncias. Até o início da tarde, não se sabe se algum dos corpos encontrados é de Tota.

O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse nesta quarta-feira que a ordem para os assassinatos partiu de pessoas do "comando superior" do CV que estão presas. Os principais suspeitos são Fernandinho Beira-Mar, que está no presídio de Campo Grande (MS), e Márcio dos Santos Nepomucemo, o Marcinho VP, preso em Catanduvas (PR).

Beltrame disse suspeitar que Beira-Mar tenha passado a ordem de assassinar Tota a parentes ou amigos durante a audiência de um processo que ele responde por homicídio, no 3º Tribunal do Júri (centro do Rio), na segunda-feira (16).

"O comando [para assassinatos] é normalmente feito por pessoas presas, através de outras pessoas que têm contato direto com elas", afirmou. "Mas o Marcinho [VP], sem dúvida, também é um suspeito".

Ocupação

A megaoperação montada pelas polícias Civil e Militar no complexo do Alemão será realizada até ao menos o fim desta quarta-feira, mas a Secretaria de Segurança considera fazer uma ocupação permanente nas favelas, segundo Beltrame.

Cerca de 800 policiais civis e militares de 15 delegacias especializadas, do 16º Batalhão de Polícia Militar (Olaria) e do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar) estão no complexo.

Até o início desta tarde, dois supostos traficantes haviam sido mortos em confronto com o Bope no morro do Adeus, no Alemão, e o policial Alexandre Masson Gomes, da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), foi baleado. Ele está internado em estado grave no Hospital Getúlio Vargas, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde do Rio.

Na favela da Grota, uma espécie de oficina de armas, uma casa com aparatos para fabricar e consertar armas, foi encontrada, afirma a Secretaria de Segurança. Três metralhadoras, dois fuzis, um revólver, uma pistola, 30 kg de maconha e 20 kg de cocaína foram apreendidos.

Mortes

De acordo com informações dadas ao Disque-Denúncia, seis traficantes do complexo do Alemão foram mortos após um suposto racha dentro do Comando Vermelho, facção criminosa que controla o tráfico de drogas no complexo. Um deles, de acordo com a denúncia, é Tota, apontado como o chefe do tráfico de todas as favelas do complexo.

Tota é o traficante mais procurado pela polícia do Rio desde que se estabeleceu, há cerca de três anos, no complexo do Alemão, vindo da favela do Caramujo, em Niterói (região metropolitana do Rio). O Disque-Denúncia oferece R$ 10 mil para quem der informações sobre ele.

Segundo a polícia, Tota e cinco traficantes foram pegos em tocaia no largo da Bolufa, no Adeus, uma das favelas do complexo. Entre os mortos, dois seriam irmãos de Tota. Os corpos teriam sido carbonizados.

A polícia diz que Tota herdou o comando do tráfico no Alemão de Elias Maluco, preso depois de chefiar o bando que matou o jornalista Tim Lopes, na Vila Cruzeiro (zona norte).

Com SERGIO TORRES, da Folha de S.Paulo, no Rio