Saúde

Covid-19: resultados de testes elevam chances de uso simultâneo de vacinas

A diversidade de imunizantes pode ser decisiva para esquemas de proteção mais eficientes. Nesta segunda, outra empresa divulgou resultados promissores sobre eficácia das doses.

Por  Estadão Conteúdo

A diversidade de vacinas contra a covid-19, a depender das características de cada uma, pode ser decisiva para esquemas de vacinação mais eficientes. Por exemplo, se uma delas tiver resultados melhores entre os idosos e outra entre os mais jovens. Ou se um imunizante for mais facilmente armazenado e transportado do que outro. Ou se for capaz de prevenir formas mais ou menos graves da doença.

Nesta segunda-feira, a empresa de biotecnologia Moderna anunciou que os resultados preliminares da análise da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela empresa apontam eficácia de 94,5% na prevenção da doença, incluindo casos graves. A notícia é divulgada uma semana após a farmacêutica Pfizer e sua parceira alemã BioNTech informarem uma eficácia inicial de 90% em sua vacina. Os resultados das duas vacinas são preliminares, obtidos a partir da primeira análise interina de eficácia.

Quando laboratórios em diversas partes do mundo se lançaram na corrida em busca de uma vacina contra a covid, há menos de um ano, muitos cientistas alertaram para o fato de que desenvolver um imunizante era um trabalho de longo prazo. Além disso, disseram, a chance de um produto que chega a fase 3 de testes ser, de fato, eficiente e seguro a ponto de ser aprovado para uso é de apenas 10%. Os resultados, no entanto, vêm surpreendendo até mesmo os mais céticos.

“Todas essas plataformas são seguras, nenhuma delas usa o vírus atenuado, que poderia mimetizar uma infecção com grande potência”, explica Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp. “Além disso, a tecnologia realmente evoluiu muito, não dá para comparar com uma vacina desenvolvida cinquenta anos atrás. Um terceiro aspecto é que o Sars-Cov-2 é muito mais simples e menos sujeito a mutações do que o HIV ou o vírus da hepatite C, por exemplo.”

O virologista Flávio Guimarães, do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, lembra também de outro aspecto fundamental: o financiamento das pesquisas. “Em vista da emergência sanitária, houve um influxo de dinheiro por parte das empresas e dos governos como jamais houve na história”, disse. “A ciência é pragmática: quando você paga, você recebe. Pode ser muito caro, mas recebe.”

No caso brasileiro, há diferentes acordos em andamento para acessar futuras vacinas contra o novo coronavírus. “O Brasil tem dois acordos bilaterais que incluem compromisso de compra e transferência de tecnologia, para a Coronovac, com o Instituto Butantã, e para a vacina de Oxford, com a Fiocruz e Biomanguinhos”, lembrou o diretor da Sociedade Brasileira de Imunização (Sbim), Renato Kfouri. “Além disso, o País integra a Covax Facility (a iniciativa da OMS para a distribuição de imunizantes licenciados). E, claro, podemos ainda negociar a compra de outras vacinas se houver disponibilidade.”

Os cientistas ressalvam, no entanto, que os resultados de eficiência da Pfizer, do Gamaleya e da Moderna não foram ainda publicados em revistas com revisão dos pares. Foram anúncios feitos pelas empresas que, inclusive, acabaram por valorizar suas ações nas bolsas de valores.

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