Política

Deputados impõem mais uma derrota a Bolsonaro ao convocar ministro

Convocação de Abraham Weintraub foi aprovada por 307 votos a favor e 82 contra; votação foi comemorada por partidos, com exceção do PSL.

Por  Estadão Conteúdo

Em uma articulação de última hora, deputados da oposição e do Centrão impuseram mais uma derrota ao governo de Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 14, na véspera de sua viagem aos Estados Unidos, ao aprovar a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub. O ministro deverá ir ao plenário da Casa já nesta quarta-feira, quando estão agendados protestos em várias cidades do País contra cortes no orçamento de universidades federais.

A convocação foi aprovada por 307 votos a favor e 82 contra, quase a mesma quantidade de votos necessários para a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que é de 308. A votação foi comemorada pela maioria dos partidos, com exceção do PSL, partido de Bolsonaro.

A articulação para incluir a convocação do ministro na pauta de votação foi feita durante a reunião de líderes, no meio da tarde. Assim que o encontro acabou, os deputados seguiram direto para o plenário e colocaram o pedido, feito pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) em votação.

Weintraub deverá ser sabatinado na quarta, em horário ainda não definido. Por se tratar de convocação, ele é obrigado a comparecer. A nova derrota na Câmara ocorreu no mesmo dia em que os principais nomes do Centrão, o líder do DEM, Elmar Nascimento (BA) e o líder do PP, Arthur Lira (AL), rejeitarem se reunir com o presidente Jair Bolsonaro. O encontro, articulado pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), estava na agenda oficial da Presidência até o meio da tarde.

De acordo com os parlamentares, o convite foi feito há dois meses para tratar de assuntos em discussão na época, mas que não fariam mais sentido hoje. "Não vou porque não fui eu que pedi, nem marquei. Foi um oferecimento de mais de dois meses atrás do líder do governo que queria nos aproximar", disse Nascimento.

Segundo Lira, houve um consenso entre os deputados convidados e o Planalto de que o momento é inapropriado porque poderia gerar uma confusão de que eles tratariam da MP da reforma administrativa, o que não era o objetivo inicial. "Não tem mal-estar. Sempre é um prazer e uma honra encontrar com o presidente", disse.

Para Nascimento, a manutenção do encontro nesta terça "seria extemporâneo" e poderia "ser mal interpretado diante de afirmações de vários deputados do PSL".

Deputados do PSL, partido de Bolsonaro, têm criticado líderes de siglas do centro sob a alegação de que eles estariam "chantageando" o presidente ao forçar um acordo que permitiu a extinção do ministério do Desenvolvimento Regional e a recriação das pastas de Cidades e de Integração Nacional.

Outro ponto criticado por governistas é a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do escopo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que pode voltar para a Economia. Estas mudanças foram tratadas na votação da medida provisória da reforma administrativa na comissão mista do Congresso que a analisou.

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