Política

Edson Fachin autoriza investigação de repasses da J&F ao MDB

A decisão de Fachin, que é o relator da Operação Lava Jato no Supremo, é desta terça-feira (16).

Wanessa Gommes
Teresina
- atualizado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, determinou abertura de inquérito para investigar a existência de repasses de R$ 40 milhões da empresa J&F a políticos do MDB durante a campanha eleitoral de 2014. A decisão é desta terça-feira (16).

Fachin, que é o relator da Operação Lava Jato no Supremo, autorizou a abertura do inquérito atendendo a um pedido da Procuradoria Geral da República feito ainda no mês de abril deste ano. A procuradora-geral, Raquel Dodge, destacou que as suspeitas são baseadas nas delações premiadas de Sérgio Machado, ex-senador pelo MDB e ex-presidente da Transpetro, e de Ricardo Saud, ex-executivo da J&F.

  • Foto: Renato Costa/FramePhoto/Estadão ConteúdoEdson FachinEdson Fachin

Ao decidir pela abertura do inquérito, Fachin explicou que, no momento, não é possível dividir a investigação sobre as pessoas sem foro privilegiado porque houve "descrição de condutas materialmente imbricadas". O ministro determinou ainda que o inquérito seja enviado à Polícia Federal, que terá 60 dias para realizar coleta de provas.

Delações

Sérgio Machado disse ter chegado ao conhecimento dele a informação de que a empresa JBS, do grupo J&F, faria doações de R$ 40 milhões à bancada do MDB do Senado em 2014 a pedido do PT.

Ainda de acordo com Machado, seriam beneficiados com a doação os senadores Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR), Eunício Oliveira (CE), Vital do Rêgo (PB; hoje ministro do Tribunal de Contas da União), Eduardo Braga (AM), Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO) e Roberto Requião (PR), "dentre outros".

Já Ricardo Saud afirmou, de acordo com a PGR, que houve pagamento de aproximadamente R$ 46 milhões a senadores do MDB a pedido do PT. "Tratava-se de vantagem indevida, uma vez que dirigentes do PT estariam comprando o apoio de peemedebistas para as eleições de 2014 como forma de assegurar a aliança entre os partidos", declarou o delator.

Ele disse ainda que o objetivo era "manter a unidade no PMDB, já que havia, à época, risco de ruptura, com a perspectiva de integrantes do partido passarem a apoiar formalmente a campanha de Aécio Neves à Presidência da República".