Saúde

Estados Unidos se aproximam de 9 milhões de casos do novo coronavírus

Faltando alguns dias para as eleições americanas, o país registra, em média, mais de 75 mil novos casos por dia, a pior extensão da pandemia.

Por  Estadão Conteúdo

Os Estados Unidos, que relataram um dos primeiros casos do novo coronavírus em Washington no início do ano, se aproximam de mais de 9 milhões de infecções nesta quinta-feira, 29, à medida que vírus saiu de controle em meio à preparação para o dia da eleição.

Em todo o país, sinais alarmantes sugeriam que o pior ainda estava por vir: mais de 20 Estados reportaram mais casos na semana passada do que em qualquer momento durante a pandemia. Pacientes foram enviados para hospitais de campanha em El Paso, Texas e nos subúrbios de Milwaukee. Os surtos crescentes levaram a novas restrições aos negócios em Chicago e nenhum Estado relatou queda sustentada no número de casos.

"Não há como amenizar isso - estamos enfrentando uma crise urgente e há um risco iminente para você, seus familiares, seus amigos, seus vizinhos", disse o governador Tony Evers, de Wisconsin, onde hospitais sofreram restrições, o número de casos explodiu e mais de 200 mortes por covid0-19 foram registradas na semana passada.

Faltando dias para as eleições presidenciais, o país agora tem, em média, mais de 75 mil novos casos por dia, a pior extensão da pandemia. As mortes permanecem muito abaixo do registrado na primavera, mas aumentaram para cerca de 780 a cada dia. Mais casos foram identificados nos Estados Unidos do que em qualquer outro país, embora algumas nações tenham taxas de infecção per capita mais altas.

"Esta onda é maior do que qualquer outra onda ou surtos que já vimos", disse Amanda Simanek, epidemiologista da Escola de Saúde Pública da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, que disse estar especialmente preocupada em ver o número de casos aumentar assim que o clima mais frio obrigar mais pessoas a ficarem em casa, onde o vírus pode se espalhar facilmente. "Este é o padrão que pode continuar acontecendo se não suprimirmos a infecção a níveis controláveis."

Vinte e um Estados somaram mais casos no período de sete dias que terminou na quarta-feira do que em qualquer outro período igual da pandemia. Em partes de Idaho e Kansas, as autoridades alertaram que restam poucos leitos hospitalares. Em Dakota do Norte, onde mais de 5% da população testou positivo para a covid-19, o número de casos continua crescendo, com um registro recorde em um único dia de mais de 1,2 mil novas infecções nesta quinta-feira. Enquanto o país se aproximava de 9 milhões de casos, especialistas lamentam as oportunidades perdidas que poderiam ter limitado a disseminação.

"Acho surpreendente a rapidez com que aconteceu", disse Larry Chang, especialista em doenças infecciosas da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. "Achei que faríamos um trabalho melhor como um país se organizando e elaborando planos nacionais baseados em evidências para mitigar essa epidemia. Porém, embora eu não esteja surpreso por termos atingido esse número, aconteceu muito mais rápido do que eu imaginei."

O último aumento nacional começou semanas atrás no Upper Midwest e Mountain West, mas agora se espalhou para muito além dessas regiões. No Nordeste, lugares como Nova Jersey e Rhode Island têm visto um aumento no número de infecções após meses de estabilidade. Kentucky e Pensilvânia estão entre os Estados com números recordes de casos. No Texas, a situação em torno de El Paso é tão terrível que as autoridades ordenaram um toque de recolher, e alguns pacientes diagnosticados com o novo coronavírus tiveram de ir para outro lugar.

Durante todo o tempo, havia uma sensação de que as preocupações com os riscos à saúde tinham se acalmado em relação aos primeiros dias da pandemia quando as ordens de lockdown eram generalizadas. Empresas permanecem abertas em grande parte do país, muitos estudantes continuam frequentando as aulas, não existe um mandado nacional sobre uso de máscara, e o presidente Donald Trump, que tem falado esperançosamente sobre uma vacina, insistiu diante de grandes multidões durante a campanha que o país está "virando a esquina".

"Isso era evitável", disse Kaitlyn Urenda-Culpepper, cuja mãe morreu de coronavírus em El Paso e disse estar frustrada com a resposta estadual e federal enquanto sua "cidade natal está sendo saqueada". "Minha mãe não precisava morrer", disse.

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