Saúde

Ganhador do prêmio Nobel diz que lockdown pode ter custado vidas

Para Levitt, ao invés de adotar o lockdown, o governo deveria ter incentivado os britânicos a usarem máscaras e aderirem a outras formas de distanciamento social.

Nayrana Meireles
Teresina
Thais Guimarães
Teresina
- atualizado

O bioquímico e biofísico britânico Michael Levitt, vencedor do Prêmio Nobel de Química, em entrevista ao jornal The Telegraph no último sábado (23) afirmou que o lockdown imposto no Reino Unido devido à pandemia de covid-19 (coronavírus) pode não ter salvado vidas e até ter custado mais do que outras medidas que poderiam ter sido impostas.

Para Levitt, ao invés de adotar o lockdown, o governo deveria ter incentivado os britânicos a usarem máscaras e aderirem a outras formas de distanciamento social.

"Acho que pode ter custado muitas vidas. Ele salvou algumas pessoas de acidentes de viação, coisas assim, mas os danos sociais, como abuso doméstico, divórcios, alcoolismo, foram extremos. E você ainda tem aqueles que não foram tratados por outras doenças", avaliou o pesquisador premiado.

Números exagerados

De acordo com o Telegraph, em março deste ano Michael Levitt enviou mensagens ao professor Neil Ferguson, consultor do governo britânico, dizendo que o país havia superestimado o número potencial de mortes por covid-19 em "10 ou 12 vezes".

Michael previu em 14 de maço que 50 mil pessoas morreriam no Reino Unido. O professor Ferguson, no entanto, estimou na mesma semana que 500 mil pessoas morreriam sem as medidas de distanciamento social.

Para Levitt “o vírus real era o vírus do pânico”. O pesquisador também previu que a maioria dos países do mundo sofreria uma taxa de mortalidade por causa da covid-19 equivalente a um mês extra durante o ano civil.

"Há um grande número de pessoas assintomáticas, então eu imagino que quando o lockdown foi iniciado no Reino Unido, o vírus já estava amplamente disseminado. Poderíamos ter ficado abertos como a Suécia naquele estágio e nada teria acontecido."

Arma medieval

Segundo o cientista, o lockdown é uma "arma muito contundente e medieval". "Não há dúvida de que você pode parar uma epidemia com um lockdown, mas é uma arma muito contundente e medieval, e a epidemia poderia ter sido interrompida com a mesma eficácia com outras medidas sensatas (como máscaras e outras formas de distanciamento social)."

O bioquímico tem sido criticado por não ser um epidemiologista e por não ter baseado seus estudos nos dados divulgados. Levitt fez uma crítica a esses profissionais. "O problema com os epidemiologistas é que eles acham que o trabalho deles é amedrontar as pessoas. Então você diz 'haverá um milhão de mortes' e quando existem apenas 25 mil você diz 'é bom que você tenha escutado meu conselho'", afirmou. "Isso aconteceu com o ebola e a gripe aviária. É apenas parte da loucura", criticou.

Levitt afirmou ainda que as evidências globais mostram que o vírus desaparece no calor seco e em grande parte do mundo ocidental "parece haver algum tipo de imunidade".

O bioquímico Levitt dividiu o prêmio Nobel de Química com outros pesquisadores pelo "desenvolvimento de modelos em múltiplas escalas para sistemas químicos complexos".

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