Ciência e Tecnologia

iOS 14 deixa iPhone mais interativo e personalizável

É a maior revolução no sistema que opera os celulares da Apple desde 2013; confira o que achamos da plataforma.

Por  Estadão Conteúdo
- atualizado

O iOS 14, novo sistema operacional dos iPhones, foi lançado para o público na quarta-feira 16, um dia após serem revelados os novos Apple Watch e iPad. Detalhes haviam sido anunciados pela Apple durante a conferência de desenvolvedores, em junho deste ano. Em um período marcado por inovações incrementais, parece exagero dizer, mas essa é a maior revolução no iOS desde 2013.

Naquela época, o iOS 7 (o primeiro sistema planejado totalmente sem o comando de Steve Jobs, morto em outubro de 2011) foi redesenhado do zero e adotou o polêmico flat design, tendência gráfica mais clean, sem sombras e com cores mais vibrantes, como o verde neon. É o que deu o sistema a “casca” que tem hoje. Esta 14.ª versão, no entanto, repensa uma das grandes marcas anunciadas com o primeiro iPhone, lá em 2007: a tela de Início. Não é pouca coisa.

A grande novidade desta versão são os widgets, espécie de botões informativos fixos. E eles de fato são uma revolução na usabilidade do aparelho, já que finalmente cumprem a função para a qual foram criados: apresentar a informação de maneira rápida e eficiente, sem cliques ou trocas de tela. É possível, por exemplo, fixar na tela de Início a previsão do tempo para a semana seguinte, sem sequer ter de abrir o app. Para escolher o seu, basta segurar o ícone de um aplicativo, clicar em “Editar tela de Início” e acionar o ícone de mais no topo esquerdo da tela.

Outros botõezinhos já disponíveis para baixar são um painel com as baterias dos seus dispositivos, mapas, calendário com os próximos eventos e relógios com fusos horários de diferentes locais, dentre outros. A fabricante de iPhones também permite baixar um “conjunto inteligente”, em que a inteligência artificial do sistema mostra um widget diferente conforme aprende os hábitos do usuário.

O sucesso da função é a possibilidade de personalização e interatividade. Por isso, os novos widgets podem ser fixados à tela de Início em três diferentes tamanhos ao lado dos aplicativos. Antes, o iOS isolava-os em uma tela separada, à esquerda da tela de Início e imóveis -- o que os tornava um tanto quanto inúteis. Agora, cada usuário pode repensar como dispõe os ícones de apps e widgets da forma mais conveniente possível.

Não é só isso que muda a experiência da tela de Início. O iOS 14 permite ocultar aplicativos, sem ter de apagá-los do sistema. Quando ocultos, eles vão para a Biblioteca de Apps, nova tela onde ficam organizados todos os apps baixados pelo usuário e separados em categorias, como redes sociais, entretenimento, jogos e saúde. O efeito prático disso é que não é mais necessário ter páginas e páginas de aplicativos que o usuário usa somente vez ou outra. Como consequência, é possível enxugar as telas de navegação e deixar apenas o essencial – só com aqueles apps sem os quais você não vive sem.

Para usuários do Android, da concorrente Google, nada disso é novidade. Mas é um passo gigantesco em se tratando de Apple, empresa conhecida não permitir muitas personalizações.

Ao alterar a tela principal de aplicativos conforme o gosto de cada um, a empresa mais valiosa do mundo reconhece que cresceram a loja de apps (App Store) e a capacidade de armazenamento dos iPhones (alguns chegam a mais de 500 GB), o que causa uma poluição visual no sistema com dezenas (ou centenas) de apps baixados. Conhecida pelo “menos é mais”, é incrível que a Apple tenha demorado tanto para tomar uma decisão a respeito.

O iOS 14 traz outras mudanças para despoluir e aproveitar mais a capacidade de processamento dos chips que operam os celulares. Notificações de novas chamadas e videochamadas aparecem no topo da tela, quando antes tomavam todo o espaço e tornavam impossível ignorar o alerta.

O Facetime, app nativo do sistema dedicado a videochamadas, ganhou o sempre bem-vindo modo Picture in Picture (PiP), que reduz a uma miniatura o vídeo da ligação e permite que o usuário se dedique a outras tarefas enquanto bate um papo. Essa função já existia há anos nos iPads e Macbooks e, novamente, espanta que tenha demorado tanto para chegar nos iPhones, principalmente em tempos de reuniões em casa por conta da pandemia. Apps de vídeo também podem aproveitar a novidade, como o YouTube, que preferiu deixar a função disponível apenas para os assinantes da função “premium”.

A assistente inteligente do sistema, a Siri, recebeu um novo tratamento. Quando acionada, o ícone da IA aparece no pé da tela, sem ocupar todo o espaço. Aliás, na versão em português brasileiro, a assistente ficou com o tempo de resposta mais rápido, mas a fala segue ainda bastante robotizada e antinatural, bem aquém do que se ouve na língua inglesa ou mesmo se comparar com a voz “brasileira” de rivais, como Alexa, da Amazon.

Esses pequenos ajustes no iOS 14 tornam o sistema mais ágil, personalizável e interativo. Não são novidades de outro planeta, tampouco contêm o fator surpresa que já foi tão caro à Apple e a colocava tão à frente de suas concorrentes. Mas é bom saber que, depois de tanta demora em relação a rivais, as funções chegaram ao iOS sem bugs e com a qualidade esperada. Antes tarde do que nunca.

Confira outras novidades do iOS 14:

Bateria

Nesses primeiros cinco dias de uso, é de se notar a perda de bateria, mesmo que o aparelho utilizado nos testes do Estadão seja um iPhone 11 Pro de seis meses de uso -- novo, portanto. Considerando que bateria é o grande calcanhar de Aquiles da Apple, é frustrante continuar a ver os mesmos problemas de sempre em uma atualização. A esperança aqui é que isso seja corrigido nas próximas versões, como o iOS 14.0.1 ou iOS 14.1.

Velocidade

Como é de se esperar de qualquer atualização, o sistema ficou mais rápido, sem engasgos ao carregar os apps. Depois das bem-sucedidas atualizações dos iOS 12 e 13, lançadas para conter o fracasso da versão 11 (cheia de erros, muito pesada e com notável perda de bateria), esta 14.ª parece colocar a Apple de volta aos trilhos de atualizações consistentes e sem grandes dramas nos lançamentos.

Privacidade

A Apple decidiu abraçar a bandeira da privacidade e ela não perde uma oportunidade de se vangloriar disso. O iOS 14 não foge da regra. Agora, um ícone aparece discretamente no topo direito da tela toda vez que uma gravação estiver sendo usada por um aplicativo. O ícone fica na cor verde se for a câmera em uso ou laranja caso seja o microfone. O Safari, navegador nativo do sistema, também apresenta relatórios de privacidade para que o usuário saiba quais rastreadores estão sendo usados pelos sites. Para saber mais, abra um site, clique no “aA” no topo esquerdo da tela e vá em “Relatório de Privacidade”.

Mensagens

O Mensagens é o aplicativo de mensagens nativo do sistema, mas é pouco usado fora dos Estados Unidos porque exige compatibilidade entre produtos Apple (e aí aquele seu amigo Android fica de fora). Mas é bom saber que a Apple continua aprimorando o app, trazendo neste iOS 14 novidades como fixar os usuários favoritos no topo do aplicativo, mencionar nominalmente usuários em conversas (só adicionar uma @ antes do nome) e mais Memojis, como a opção de adicionar ao seu avatar uma máscara, o maior ícone fashion deste 2020.

Apple Music

É curioso que o maior serviço da Apple tenha sido posto de lado durante a apresentação das novidades em junho deste ano. Mas o Apple Music, principal concorrente do Spotify no streaming de músicas, ficou mais veloz, recebeu uma interface mais limpa e valoriza mais novos lançamentos da indústria fonográfica ao levar o usuário diretamente para a aba “Explorar” quando o app é aberto.

E-mail e navegador padrão

É possível definir qual o seu navegador e cliente de e-mail padrão do sistema, algo que já ocorria no sistema operacional do Macintosh há anos. Isso significa que, com o iOS 14 instalado, você pode trocar o Safari pelo Chrome ou abandonar o Mail para adotar o Gmail ou Outlook. Quem manda é você.

Traduzir

Anos depois de o Google Tradutor se consolidar como um dos tradutores mais confiáveis, a Apple criou um tradutor pra chamar de seu, o “Traduzir”. A grande sacada dele é que é possível baixar línguas inteiras no modo offline, o que permite usar o app sem conexão de internet em uma viagem internacional, por exemplo. O português brasileiro é uma das 12 línguas contempladas nessa primeira versão. Outra novidade é que o navegador Safari também pode traduzir páginas inteiras.

App Clips

Anunciado em junho, o Clips é uma forma de baixar rapidamente partes de aplicativos, sem ocupar tempo com download e cadastro de credenciais. Usando o iCloud e Apple Pay, o Clips promete que desenvolvedores ofereçam versões “light” de seus apps para que sejam acessados nas ruas via link ou código QR. Se o usuário gostar, poderá baixar o restante do app em casa, por exemplo. Acontece que, por causa do confinamento exigido para a pandemia e por ser uma função extremamente dependente da criatividade dos desenvolvedores, não foi testada pelo Estadão. É apenas uma promessa que pode dar muito certo, se bem utilizada.

Compatibilidade

Uma das melhores notícias do iOS 14 é a compatibilidade dele com os antigos iPhones. Todos os aparelhos que receberam atualizações do iOS 13 em 2019 podem ganhar o novo sistema. São eles:

iPhone 11

iPhone 11 Pro

iPhone 11 Pro Max

iPhone XS

iPhone XS Max

iPhone XR

iPhone X

iPhone 8

iPhone 8 Plus

iPhone 7

iPhone 7 Plus

iPhone 6S

iPhone 6S Plus

iPhone SE (1.ª geração)

iPhone SE (2.ª geração)

iPod touch (7.ª geração)

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