Brasil

Juíza Ana Luiza Fischer diz que trainee para negros é "inadmissível"

A magistrada criticou, na sua página no twitter, o programa de trainee 2021 da empresa Magazine Luiza, que é voltado apenas para negros.

Wanessa Gommes
Teresina

A juíza do Trabalho Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça usou sua página no twitter, na manhã desse sábado (19), para criticar o programa de trainee 2021 da empresa Magazine Luiza. Para a magistrada, o programa que aceitará apenas candidatos negros é inadmissível.

“Discriminação na contratação em razão da cor da pele: inadmissível”, escreveu ela na rede social. Em seguida ela respondeu a um comentário feito na sua publicação. “Na minha Constituição, isso ainda é proibido”.

  • Foto: ReproduçãoJuíza Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza MendonçaJuíza Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça

Segundo a Folha de S. Paulo, até as 15 horas de ontem, o tuíte acumulava cerca de 500 curtidas, no entanto por volta das 16h, a juíza apagou o tuíte e fechou sua conta no Twitter, restringindo o acesso apenas aos seguidores. Posteriormente, ela tornou a conta pública novamente.

Antes, ela havia compartilhado uma postagem do deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), que trazia a notícia sobre a iniciativa do Magazine Luiza e questionava: "E esse racismo, é do bem?".

O programa

Na sexta-feira (18), o Magazine Luiza anunciou a abertura das inscrições para o programa que seria voltado apenas para negros, que segundo ela é o primeiro exclusivo para negros do Brasil.

"O objetivo do Magalu com o programa é trazer mais diversidade racial para os cargos de liderança da companhia, recrutando universitários e recém-formados de todo Brasil, no início da vida profissional”, informou a empresa, em comunicado.

O programa foi desenvolvido em parceria com as consultorias Indique Uma Preta e Goldenberg, Instituto Identidades do Brasil, Faculdade Zumbi dos Palmares e Comitê de Igualdade Racial do Mulheres do Brasil.

Perfil

Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça é juíza no TRT-3 (Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais). Ela integrou a comissão de redação da reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB).

Atualmente, é uma das coordenadoras do Gaet (Grupo de Altos Estudos do Trabalho), do Ministério da Economia, que elabora desde o ano passado uma revisão nas leis do trabalho. Ela também é coordenadora-adjunta do grupo Direito do Trabalho e Segurança Jurídica.