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""Linha Direta Justiça"" mostra famoso assassinato dos anos 80

O programa mostra casos famosos, que tiveram grande repercussão nos noticiários da época.

Do GP1

Fonte - Terra

Mônica Granuzzo mal sabia que, quando conheceu Ricardo Sampaio em uma boate, sua vida estava com os dias contados. Hoje, ela é personagem de mais um episódio do Linha Direta Justiça. O programa mostra casos famosos, que tiveram grande repercussão nos noticiários da época. Este não foi diferente. Tratavam-se de moradores da Zona Sul carioca. A moça de 14 anos despencou do sétimo andar de um prédio, na Fonte da Saudade, em 1985. Segundo Milton Abirached, diretor do programa, o contexto da década é muito importante para a escolha do tema. "A história de Mônica é um marco. Depois do fervilhão do rock e da liberdade de expressão, sua morte demonstrou um retrocesso nesta libertação cultural, principalmente deste segmento social", opina Milton. O programa está previsto a ir ao ar dia 18 de outubro e as cenas estão sendo gravadas neste mês. A libertação cultural, inclusive, é uma das grandes preocupações do diretor na reprodução do caso. A cena em que isto fica em maior evidência é o primeiro encontro entre a vítima e o assassino, na ocasião, na discoteca Mamão com Açúcar, na Lagoa, Zona Sul do Rio. Na história real, a danceteria foi o ponto de partida de tudo. O primeiro encontro, a troca de telefones. O segundo encontro, dias depois, culminou na ida da garota até o apartamento do rapaz, na briga que ocorreu no local e, claro, na morte de Mônica. O set de filmagem remontou a boate em um condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com todos os aspectos de uma danceteria da década de 1980. A maquiagem e o figurino são a maior atração do local, privilegiando as cores ácidas e os brilhos fortes. A trilha sonora com tema dos anos 80, com bandas como A-Ha, RPM, Legião Urbana e artes performáticas, com a presença de uma bailarina e de um malabarista também têm espaço. Para filmar o ambiente, apenas duas câmaras: uma chamada de "manual" e outra panorâmica, automática e guiada por controle remoto. "Tento enfatizar bem a época nas roupas, na música e no comportamento. Quero mostrar o tipo de boate que o grupo de Mônica freqüentava", frisa o diretor, que contou até com uma coreógrafa para ensinar os passos da geração. No papel da menina está Fernanda Carvalho, atriz da mesma idade da vítima, que protagonizou o filme Anjos do Sol, dirigido por Rudi Lagemann. "Procuro tratar este papel como pura ficção. Se pensar na veracidade do acontecimento, dificulta o trabalho", amedronta-se a jovem atriz. O assassino é interpretado por Rafael Sardão, ator de 26 anos. No caso real, o malfeitor Ricardo Peixoto Sampaio tinha 22 anos e se fez passar por 17, ao conhecer Mônica Granuzzo. Ele foi condenado há 24 anos de prisão, cumpriu um terço da pena e foi liberado. "A principal mudança foi no comportamento dos pais. Hoje, eles nos tiram a inocência e nos alertam para este tipo de perigo", compara Fernanda. Para caracterizar o tom jornalístico, característico do programa, Milton Abirached estabeleceu diversas frentes. Regina Martelli, jornalista e consultora de moda, Luiz André Alzer, autor do Almanaque dos Anos 80, e depoimentos mais específicos, como o do pai de Mônica Granuzzo, aumentam a veracidade do programa. "Dei preferência às declarações de pessoas que me acrescentariam algo sobre a época tratada. E, claro, de pessoas emocionalmente envolvidas", relata Milton. Linha Direta Justiça já está na TV há quatro anos. O mote é retomar antigos casos que ficaram mal explicados, mesmo que judicialmente concluídos. Neste ano, o programa é finalista ao prêmio Emmy internacional de jornalismo e documentário - uma espécie de Oscar da televisão, previsto para o dia 24 de setembro. O caso em questão é o da Chacina da Candelária, que foi ao ar no dia 27 de julho do ano passado. "É uma surpresa esta indicação, mas temos concorrentes de alto nível", comemora o diretor do programa.