Marcos Parente - PI

MP apura morte de mulher por falta de médico em hospital no Piauí

Procurado, na tarde desta quinta-feira (08), o prefeito Pedro Nunes se recusou a responder os questionamentos, disse que não tinha o telefone da secretária de Saúde e em seguida desligou o telefone.

Wanessa Gommes
Teresina
- atualizado

O Ministério Público do Estado do Piauí, através do promotor de Justiça Gerson Gomes Pereira, está investigando a morte de uma paciente identificada como Letícia da Silva Carvalho após procurar assistência médica na Unidade de Saúde do município de Marcos Parente, no mês passado.

O promotor ouviu a versão do pai e do irmão da paciente que relataram que a mesma passou por quadros sucessivos de mal-estar depois de se submeter a uma cirurgia de laqueadura de trompas no hospital de Floriano e que na noite do dia 13 de outubro, já em Marcos Parente, a família procurou a unidade de saúde local, mas não havia médico plantonista, estando presentes no estabelecimento apenas o vigia e uma enfermeira.

Eles contaram que a paciente passou mais de uma hora aguardando atendimento enquanto a enfermeira tentava contato com a secretária municipal de Saúde, até que a família decidiu transportar Letícia para Floriano. Lá, sem que a paciente tenha sequer sido retirada da ambulância, a médica de plantão declarou imediatamente o óbito e determinou o retorno para Marcos Parente.

Ainda de acordo com os familiares outra enfermeira comunicou que o corpo de Letícia seria levado para a cidade de Landri Sales para o sepultamento e que representantes de uma empresa funerária os procuraram para negociar as despesas. No entanto, a família não foi retirar o corpo e nem recebeu qualquer declaração ou certidão de óbito.

“Consideramos as declarações da família de que Letícia chegara ainda com vida na Unidade Mista de Saúde do Município, que passou mais de uma hora aguardando atendimento, de que foi atendida pela técnica de enfermagem e não por médico”, explicou o promotor.

Diante do que foi relatado, o promotor instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a situação da estrutura organizacional da Secretaria Municipal de Saúde e da política pública de saúde em curso na Unidade Básica de Saúde e na Unidade Mista de Saúde do Município de Marcos Parente, incluindo a composição do quadro de servidores e o cumprimento da jornada de trabalho.

Os autos serão encaminhados à Defensoria Pública do Estado para apuração de eventual direito de indenização à família da vítima.

Inquérito policial

O representante do MP determinou ainda a instauração de inquérito policial para investigação de eventual cometimento dos crimes de homicídio culposo e de ocultação de cadáver, e da contravenção de sepultamento sem registro de óbito. Por conta dessas circunstâncias, também foi instaurado procedimento para acompanhamento do serviço público municipal de cemitério.

Ausência da secretária de saúde

Será também investigada a ausência da secretária de Saúde do município suspeita de residir em Teresina e de acumular cargos públicos: “Há de se verificar também a ausência na cidade da Secretária de Saúde, por residir e trabalhar em Teresina, das várias denúncias contra ela, imputando-lhe a acumulação ilegal de cargos e empregos, além do não exercício das funções de Secretária, ante a fixação da residência em Teresina e manutenção de trabalhos na capital piauiense, além da ausência de médico para plantões nos finais de semana por falha na escala, que é de incumbência da Secretária de Saúde”, afirmou.

Outro lado

Procurado, na tarde desta quinta-feira (08), o prefeito Pedro Nunes se recusou a responder os questionamentos, disse que não tinha o telefone da secretária de Saúde e em seguida desligou o telefone.