Brasil

Polícia Federal faz buscas contra vice-governador do Amazonas

Segunda etapa da Operação Sangria cumpre, ao todo, cinco mandados de prisão temporária e faz buscas contra seis investigados.

Por  Estadão Conteúdo

O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram na manhã desta quinta-feira, 8, a segunda etapa da Operação Sangria, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre supostos desvios na compra de respiradores no Amazonas. Segundo a Procuradoria-Geral da República, entre os alvos das buscas estão o vice-governador, Carlos Alberto (PTB), e um investigado apontado como ‘homem de confiança’ do governador Wilson Lima (PSC). Contra este último também foi expedido mandado de prisão temporária por cinco dias.

Agentes cumprem, ao todo, cinco mandados de prisão temporária e fazem buscas contra seis investigados na Sangria. As ordens foram requeridas pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo e expedidas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, que determinou ainda o sequestro de bens e valores dos investigados.

A Sangria foi aberta inicialmente no fim de junho quando cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e outros oito de prisão. O principal alvo da ofensiva na ocasião foi o governador do Estado Wilson Lima (PSC), que foi alvo de buscas. Além disso, a Secretária de Saúde, Simone Papaiz, foi presa na ação.

Segundo a PGR, as investigações tratam de uma compra fraudulenta de 28 respiradores que teria movimentado R$ 2,9 milhões, ‘com envolvimento direto da cúpula do poder do Estado’. Um laudo da PF atesta sobrepreço de R$ 133,67% na compra feita pela Secretaria de Saúde do estado com dispensa de licitação, , indica a Procuradoria

Os respiradores foram fornecidos por empresa especializada no ramo de bebidas alcoólicas, denominada ‘Vineria Adega’. “Em uma manobra conhecida como triangulação, uma outra empresa vendeu os respiradores à adega por R$ 2,4 milhões; essa, por sua vez, repassou os equipamentos ao governo do Amazonas por R$ 2,9 milhões. A suspeita de superfaturamento de R$ 496 mil foi registrada pela Controladoria-Geral da União, assim como o direcionamento da venda”, explica a PGR.

De acordo a Procuradoria, o ‘homem de confiança’ de Lima que é alvo da ofensiva aberta nesta manhã, ‘teria sido destacado pessoalmente pelo governador para intermediar as aquisições fraudulentas de respiradores e financiá-las, tendo sido responsável por indicar a loja de vinhos que vendeu os aparelhos ao estado’.

Os investigadores indicam ainda que provas reunidas na primeira fase da operação mostram que Wilson Lima ‘exercia domínio completo não apenas dos atos relativos à aquisição de respiradores para enfrentamento da pandemia, mas também das demais ações governamentais relacionadas à questão, no bojo das quais atos ilícitos teriam sido praticados’.

“Já o vice-governador, de acordo com os registros, já reunidos pelos investigadores, tinha grande influência na gestão da Secretaria de Saúde – pasta na qual atuou durante os três primeiros meses de governo. As provas apontam que a cúpula da Secretaria de Saúde se reportava frequentemente ao vice-governador para tratar de contratos da área de saúde, inclusive sobre pagamentos”, destacou a PGR em nota.

Na peça enviada ao STJ, a subprocuradora-geral da República indica que o inquérito em curso investiga o direcionamento na contratação da empresa, sobrepreço e superfaturamento na aquisição dos respiradores, organização criminosa, lavagem de dinheiro e montagem de processos e adulteração de documentos, com a finalidade de encobrir os crimes praticados.

“Há uma verdadeira organização criminosa que se instalou na estrutura do governo do estado do Amazonas, com o objetivo de desviar recursos públicos destinados a atender às necessidades da pandemia de covid-19”, defendeu a Procuradoria no parecer.

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