Economia e Negócios

Serviços têm alta de 5% em junho após 4 meses de queda, diz IBGE

Mesmo com início de recuperação, setor está 14,5% abaixo do patamar registrado em fevereiro, último mês antes da pandemia.

Por  Estadão Conteúdo

Depois de quatro meses de quedas, período em que acumulou perda de 19,5%, o setor de serviços avançou 5% em junho na comparação com maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada nesta quinta-feira, 13. Com o resultado, o volume de serviços ficou 14,5% abaixo do patamar registrado em fevereiro, último mês antes da adoção das medidas de isolamento social para conter o avanço da covid-19. Na comparação com junho de 2019, houve queda de 12,1%.

O resultado de junho em relação ao mês anterior veio acima da mediana das estimativas de 24 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, que era de alta de 4,35%. Segundo o IBGE, entre os 166 serviços analisados, o segmento de restaurantes foi um dos que mais influenciaram o índice.

Os números da pesquisa de serviços seguiram o embalo dos resultados do varejo divulgados na quarta-feira, 12, pelo IBGE, com altas de 8,0% no varejo restrito e de 12,6% no ampliado, acima das expectativas do mercado.

"Abril foi o fundo do poço. Em maio já se tinha a expectativa de que não seria esse bicho de sete cabeças, e de fato houve melhora", diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Para ele, as altas registradas no varejo influenciam também os serviços, mas a melhora tem intensidade menor porque parte das atividades só foi liberado em julho, como cabeleireiros, manicure, academia e setores mais relacionados às famílias, como viagens.

O economista Alexandre Lohmann, da GO Associados, diz que a inversão de sinal é importante, mas que deve permanecer uma disparidade de comportamentos entre as atividades do setor. Aquelas dependentes do fluxo de pessoas e, em especial, do turismo, devem manter trajetória de queda.

"A pesquisa de serviços deve ser a última a se recuperar. Ela vai seguir com essa disparidade interna e dificilmente vai compensar as perdas da crise ainda em 2020", afirma Lohmann.

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