Economia e Negócios

Tensão no mercado externo leva dólar a R$ 4,13; Bolsa cai

Ibovespa chegou aos 97 mil pontos, depois de novos sinais de acirramento da guerra comercial entre EUA e China.

Por  Estadão Conteúdo

A ativos brasileiros na tarde desta sexta-feira, 23. O Índice Bovespa voltou a renovar mínima e o dólar à vista é negociado no patamar dos R$ 4,12, depois de chegar à máxima do dia de R$ 4,1310. A promessa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anunciar novas medidas comerciais contra a China e as críticas que ele fez ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sacudiram os mercados globais. O movimento é de fuga para ativos de proteção, que incluem dólar, títulos do Tesouro americano e ouro, entre outros.

Em resposta à taxação de US$ 75 bilhões em produtos americanos anunciada pela China, Trump afirmou que anunciará novas medidas contra o gigante asiático ainda na tarde desta sexta. Ele também taxou o presidente do Fed de "inimigo", comparando-o ao presidente da China, Xi Jinping. Trump, que defende um corte de juros mais agressivo no Fed, disse que o BC americano "como de costume", não "fez nada".

Às 14h27, o Ibovespa tinha queda de 2,80%, chegando aos 97.209,17 pontos. As quedas são generalizadas na carteira do índice, mas atingem mais expressivamente as ações de commodities e do setor financeiro. Com o petróleo registrando perdas entre 2% e 3%, as ações da Petrobrás recuam mais de 3%.

No câmbio, o dólar à vista era negociado a R$ 4,1275, em alta de 1,21%. A valorização da moeda americana também pressiona os juros negociados no mercado futuro. O contrato de DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 6,44%, ante 6,37% do ajuste de quinta-feira.

O impacto das queimadas

O cenário doméstico segue em segundo plano, mas oferece mais dúvidas ao investidor nesta sexta-feira. A repercussão internacional das queimadas na Amazônia, o atraso na entrega do parecer da reforma da Previdência no Senado e a possibilidade de revisão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro estão no radar.

O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), decretou situação de emergência em virtude do aumento das queimadas e do período de escassez pelo qual passa o Estado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve aumento de 197% do número de queimadas no Acre entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018.