Saúde

Vacina de Oxford é segura para idosos e induz resposta imunológica

Resultado já havia sido divulgado em outubro, mas agora foi publicado, com detalhes, na revista científica Lancet; análise preliminar da eficácia pode sair 'nas próximas semanas'.

Por  Estadão Conteúdo
- atualizado

A segunda fase dos testes clínicos da vacina contra a covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, mostra que ela é segura em idosos saudáveis e causa uma resposta imunológica, relata a revista médica The Lancet nesta quinta-feira, 19. O resultado já havia sido divulgado pela universidade em outubro, mas só agora foi publicado em uma revista científica, com detalhes. Segundo a The Lancet, os primeiros resultados sobre a eficácia da vacina - extraídos da fase 3 de testes - podem ser divulgados "nas próximas semanas".

Em colaboração com a farmacêutica AstraZeneca e outras organizações, os pesquisadores testaram a preparação, denominada ChAdOx1 nCoV-19, em um experimento com 560 adultos saudáveis, incluindo 240 com mais de 70 anos, com o objetivo de observar seu impacto no sistema imunológico e possíveis efeitos colaterais.

Os "resultados preliminares promissores" indicam que esta vacina SARS-CoV-2 oferece "resultados de segurança e imunogenicidade semelhantes em idosos saudáveis do que naqueles com idade entre 18 e 55 anos."

De acordo com "The Lancet", a Fase 2 permite concluir que o antídoto causa "poucos efeitos colaterais" e "induz uma resposta imune em ambas as partes do sistema imune em todas as faixas etárias tanto em dose baixa como em dose padrão".

Segundo o estudo, a vacina britânica gera uma resposta de células T (capaz de encontrar e atacar células infectadas pelo vírus) 14 dias após a primeira dose, e uma resposta de anticorpos 28 dias após a dose de reforço (que atacaria o vírus ao circular pelo sangue ou sistema linfático).

Os autores observam que a Fase 3 dos ensaios clínicos, que está em andamento, deve confirmar esses resultados e determinar “até que ponto a vacina é eficaz na proteção contra a infecção por SARS-CoV-2” em um grupo maior e mais heterogêneo de pessoas, o que inclui idosos com patologias prévias.

No estudo divulgado nesta quinta, que não mede a eficácia da vacina para proteção do vírus, 560 adultos (160 entre 18 e 55 anos; 160 entre 56 e 59 anos e 240 mais de 70) em bom estado de saúde receberam tanto a vacina Oxford quanto um antídoto de controle.

Os voluntários com mais de 55 anos foram divididos em dois grupos e receberam uma ou duas doses da vacina em um período de 28 dias. Todos foram observados desde o início para detectar efeitos adversos, bem como a resposta imune.

Os autores observam que os efeitos colaterais do ChAdOx1 nCoV-19 foram "leves" (como dor à injeção, fadiga, dor de cabeça, febre ou dor muscular), embora mais comuns do que com a vacina de controle. Foram detectados treze casos graves nos seis meses após a primeira dose, mas não são considerados relacionados às vacinas.

Os pesquisadores explicam que os efeitos colaterais foram ainda menos comuns em adultos mais velhos do que jovens, e a resposta imunológica foi "semelhante" em todas as faixas etárias após a dose de reforço.

A vacina induziu anticorpos contra a proteína spike do coronavírus 28 dias após a primeira dose baixa ou padrão em todas as faixas etárias. Após a vacinação de reforço, o nível de anticorpos aumentou 56 dias após o início do experimento, e o mesmo aconteceu com os anticorpos neutralizantes 42 dias depois.

Por sua vez, a resposta das células T contra a proteína spike do coronavírus culminou quatorze dias após a primeira inoculação, independentemente da idade ou da dose.

A pesquisadora Sarah Gilbert diz que este estudo "responde algumas das questões" levantadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a necessidade de vacinas da covid-19 para proteger os idosos.

No entanto, ela ressalta, outras "questões sobre a eficácia e a duração da proteção" ainda precisam ser respondidas e a vacina também deve ser testada em idosos com patologias para garantir que ela proteja aqueles que têm maior risco de adoecer gravemente.

Os autores reconhecem que a sua experiência "tem limitações", por exemplo, que as pessoas mais velhas tinham uma idade média de 73 ou 74 anos e eram saudáveis, o que não reflete a situação de lares de idosos.

Além disso, acrescentam, a maioria dos voluntários de qualquer idade eram brancos e não fumantes, portanto, na terceira fase dos testes clínicos, os testes serão estendidos a pessoas de diferentes origens.