A Justiça do Piauí determinou o sequestro de bens e valores que somam mais de R$ 75 milhões de investigados na Operação Gabinete de Ouro , deflagrada nesta terça-feira (14) pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR). O esquema, ocorrido na Prefeitura de Teresina durante a gestão de Dr. Pessoa , envolvia familiares, empresários e servidores públicos, e era liderado por Sol Pessoa, ex-chefe de gabinete do ex-prefeito.
Os alvos da medida são Suelene da Cruz Pessoa (Sol Pessoa), Marcus Almeida de Moura , Mauro José de Sousa e Rafael Thiago Teixeira Ferreira , todos presos temporariamente nesta terça. Os quatro tiveram contas bancárias bloqueadas e bens, incluindo imóveis, veículos e joias, tornados indisponíveis.
Os valores bloqueados totalizam mais de R$ 75 milhões, distribuídos da seguinte forma: R$ 27,6 milhões de Sol Pessoa, R$ 4,3 milhões de Rafael Thiago, R$ 150 mil de Mauro José, R$ 21,8 milhões de Marcus Almeida e R$ 21,8 milhões da empresa MM Transportes e Turismo Ltda, de propriedade de Marcus.
Entre os imóveis sequestrados estão uma residência de Sol Pessoa no bairro Catarina, em Teresina, um apartamento de Rafael Thiago no empreendimento Reserva Green Park, também em Teresina, e um sítio de 8,7 hectares de Marcus Almeida em Timon-MA.
Entenda como funcionava o esquema
As investigações apontam que Sol Pessoa comandava toda a operação, controlando contratações, pagamentos e a distribuição dos lucros, além de exercer forte influência política sobre indicações de cargos ligados a terceirizados e prestadores de serviço. Entre 2020 e 2024, ela declarou renda de R$ 415 mil, mas recebeu mais de R$ 1,2 milhão em suas contas, provenientes de transferências de terceiros e empresas sem atividade econômica real.
Marcus Almeida de Moura, dono da MM Transportes e Turismo LTDA, atuava como operador financeiro do grupo, criando empresas de fachada, emitindo notas fiscais falsas e movimentando grandes quantias para ocultar a origem ilícita. Apesar de declarar faturamento zero em 2022 e 2023, movimentou mais de R$ 5 milhões.
Rafael Thiago Teixeira Ferreira, servidor público com três vínculos, movimentou R$ 4,3 milhões entre 2020 e 2024, realizando pagamentos pessoais de Sol Pessoa e repasses para empresas e construtoras usadas pelo grupo. Mauro José de Sousa atuava nos bastidores, realizando depósitos em espécie e garantindo que os recursos chegassem aos destinos finais sem levantar suspeitas.
O esquema operava principalmente por meio de rachadinhas, propinas e fraudes em contratos, utilizando empresas fantasmas e notas fiscais falsas. O dinheiro era lavado por meio de transferências, fracionamento de valores e reintegração a despesas pessoais, obras e investimentos empresariais, com a construtora PAVCON como um dos principais canais para escoar recursos ilícitos.