A Polícia Civil do Piauí pediu à Justiça a prorrogação do inquérito policial que apura os supostos crimes de associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro na administração da Prefeitura de Teresina, em desfavor da ex-chefe de gabinete do ex-prefeito Dr. Pessoa , Suelene da Cruz Pessoa, conhecida como Sol Pessoa , além de Marcus Almeida de Moura, Mauro José de Sousa e Rafael Thiago Teixeira Ferreira no âmbito da Operação “Gabinete de Ouro”, deflagrada no dia 14 de outubro de 2025.
As investigações do Departamento de Combate à Corrupção ( DECCOR ) apontam para a existência de um suposto esquema denominado “rachadinha”, em que parte dos salários de servidores ou terceirizados era desviada, além de notas fiscais frias, empresas de fachada e movimentações financeiras atípicas.
O pedido de prorrogação foi solicitado diante da necessidade de perícia digital sobre celulares e documentos apreendidos, que tiveram seus conteúdos extraídos para análise do material encontrado nos dispositivos eletrônicos.
Entenda como funcionava o esquema
As investigações apontam que Sol Pessoa comandava toda a operação, controlando contratações, pagamentos e a distribuição dos lucros, além de exercer forte influência política sobre indicações de cargos ligados a terceirizados e prestadores de serviço. Entre 2020 e 2024, ela declarou renda de R$ 415 mil, mas recebeu mais de R$ 1,2 milhão em suas contas, provenientes de transferências de terceiros e empresas sem atividade econômica real.
Marcus Almeida de Moura, dono da MM Transportes e Turismo LTDA, atuava como operador financeiro do grupo, criando empresas de fachada, emitindo notas fiscais falsas e movimentando grandes quantias para ocultar a origem ilícita. Apesar de declarar faturamento zero em 2022 e 2023, movimentou mais de R$ 5 milhões.
Rafael Thiago Teixeira Ferreira, servidor público com três vínculos, movimentou R$ 4,3 milhões entre 2020 e 2024, realizando pagamentos pessoais de Sol Pessoa e repasses para empresas e construtoras usadas pelo grupo. Mauro José de Sousa atuava nos bastidores, realizando depósitos em espécie e garantindo que os recursos chegassem aos destinos finais sem levantar suspeitas.
O esquema operava principalmente por meio de rachadinhas, propinas e fraudes em contratos, utilizando empresas fantasmas e notas fiscais falsas. O dinheiro era lavado por meio de transferências, fracionamento de valores e reintegração a despesas pessoais, obras e investimentos empresariais, com a construtora PAVCON como um dos principais canais para escoar recursos ilícitos.