A família da estudante Alice Brasil, de 4 anos, recebeu com esperança o posicionamento do Ministério Público do Piauí, que apontou homicídio culposo e homicídio culposo majorado na morte da criança, ocorrida dentro de uma unidade do colégio CEV, em Teresina. O parecer representa um novo episódio no caso, após o inquérito policial ter sido encerrado sem indiciamentos, decisão que causou insatisfação nos pais da menina.
Em entrevista à reporter Nathália Carvalho, da TV GP1 , nesta terça-feira (09), o pai de Alice, Cláudio Sousa, emocionado, descreveu o momento em que soube do parecer do MP, revelando que a notícia veio em meio a um dia importante para a família. “Aquela decisão esdrúxula do delegado abalou muito nossa família. Mas sempre tivemos convicção, pela nossa fé, de que aquilo estava errado. Ontem era dia de Nossa Senhora da Conceição, dia de missa, e também aniversário da minha sogra, já falecida. Quando recebemos a notícia de que o Ministério Público reconheceu que houve crime, foi como uma luz no fim do túnel”, pontuou.
Segundo a mãe de Dayana Brasil, o entendimento do MP reafirma que a busca por justiça não é apenas pela filha, mas por todas as crianças que dependem da responsabilidade de instituições educacionais. “A nossa filha não volta. Mas temos certeza que outras crianças serão beneficiadas. Segurança não é luxo, é dever. Quem acolhe crianças precisa ter responsabilidade. Os filhos são nossos maiores tesouros”, ressaltou.
“Ainda há justiça dos homens. A de Deus, a gente nunca duvidou”
O pai de Alice Brasil destaca que, mesmo tendo formação na área de segurança, foi surpreendido negativamente pela condução inicial do inquérito. “Eu tenho respeito pela Polícia Civil, mas a postura do profissional que conduziu esse inquérito foi lamentável. Sugerir arquivamento sem indiciamento foi um absurdo. Agora temos esperança de que ainda há justiça dos homens, porque da justiça de Deus a gente nunca duvida”, pontuou Cláudio Sousa.
Acordo de Não Persecução Penal com o Ministério Público
De acordo com o pai, o documento aponta nominalmente os envolvidos, os enquadrando nos crimes de homicídio culposo e homicídio culposo majorado. O procedimento agora segue para audiências conduzidas pelo MP. “O Ministério Público vai ouvir todo mundo novamente. Pode haver um acordo, porque a pena para homicídio culposo é curta, inferior a 4 anos. Se houver acordo, o MP vai definir as condições. Se não houver, aí sim haverá denúncia e se inicia a ação penal”, complementou Cláudio Sousa.
A família afirma esperar apenas que tudo seja feito com justiça.
Um dos pontos mais delicados do caso, segundo os pais de Alice Brasil, envolve a atuação da profissional que teria prestado os primeiros atendimentos à criança dentro da escola. “Houve várias falhas. A Alice entrou em parada cardiorrespiratória ainda na presença da enfermeira. O SAMU já recebeu nossa filha sem vida. Quem entra em parada precisa ser reanimado, e isso não aconteceu.”
O pai relatou ainda erros graves: “não houve nenhuma reanimação, segundo depoimentos e imagens. A Alice foi retirada da escola nos braços, sem qualquer equipamento, o rosto da criança foi coberto com um casaco, enquanto ela já estava em parada respiratória. Como uma criança em parada respiratória tem o rosto abafado por um casaco? Isso aconteceu diante de uma enfermeira. Espero que o COREN dê uma resposta sobre isso”, desabafou.
Investigação sob segredo de Justiça
A família confirmou ter acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça, e agora aguarda os próximos passos. Com o recesso de fim de ano do MP, as audiências devem ocorrer a partir do início do próximo ano. “Não sabemos quanto tempo vai levar. Eles podem chamar todos de uma vez ou um por um. Vamos aguardar”, disse a mãe de Alice Brasil.
O pai de Alice fez questão de agradecer pelo apoio recebido desde o início do caso. “Eu não poderia deixar de agradecer à imprensa, às redes sociais e à população. Diante de algo tão absurdo e bizarro, a sociedade não nos abandonou em nenhum momento. A Alice tem que ser sinônima de segurança. Não estamos atrás de interesses, mas de justiça. Nossa luta é diária, nossa sobrevivência é diária. Agradeço também aos profissionais do Ministério Público, pela imparcialidade”, finalizou o pai de Alice Brasil.