Nos bastidores do Palácio de Karnak , uma disputa silenciosa começa a ganhar volume e tensão. Embora ainda distante do pleito de 2026, a formação da chapa que buscará a reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) tem gerado atritos entre duas forças centrais do PT piauiense: o próprio governador e o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias .

De um lado, Rafael Fonteles deseja construir uma candidatura com base em lealdade e alinhamento político direto. Nessa lógica, os nomes que circulam como possíveis vices são o do secretário de Educação, Washington Bandeira , e o, hoje menos cotado, secretário de Segurança, Chico Lucas . Ambos são figuras de confiança do governador e atuam ativamente na linha de frente da gestão estadual.

Foto: Lucas Dias/ GP1
Vinicius Dias

Por outro lado, Wellington Dias, figura histórica do PT local e ainda um articulador de peso nos bastidores, tenta manter sua influência direta no governo estadual. Sua aposta é o próprio filho, Vinícius Dias, que até concedeu entrevista ao GP1 , tentando adotar um tom moderado: “A decisão está nas mãos do governador Rafael”, afirmou. Mas nos bastidores, o jogo é outro.

O que está em jogo?

Fonteles sabe que a escolha de um vice é mais do que simbólica. É estratégica. Um vice bem alinhado pode garantir governabilidade interna, articulação política e continuidade de projetos. Já para Wellington, que já governou o Piauí por quatro mandatos, o cargo de vice representa muito mais: é a permanência de sua influência sobre o núcleo duro do poder estadual, mesmo que à sombra.

Fonteles, por sua vez, quer marcar uma diferença geracional dentro do partido, construindo sua própria identidade política e autonomia administrativa. Fonteles, embora reconheça a importância de Wellington como mentor e articulador político nacional, não pretende aceitar uma imposição familiar. E isso tem sido fonte de tensão.

Na última semana, o secretário Washington Bandeira esteve em um evento com o presidente Lula e aproveitou para fazer uma aproximação pública com o chefe do Executivo nacional um gesto que foi visto por muitos como sinal de que Bandeira busca, discretamente, o endosso de Lula para a vaga de vice.

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Vinícius é viável?

A entrada de Vinícius Dias no tabuleiro traz desafios. Apesar de vir de uma família com profundo enraizamento no PT e de ter sido criado nos corredores da política, o jovem ainda é um nome pouco conhecido da população. Sua baixa projeção pública pode ser um entrave eleitoral, o que o torna, um risco desnecessário numa chapa que terá como objetivo central consolidar a imagem do governador.

Para setores do PT mais pragmáticos, a escolha de Vinícius seria uma concessão pessoal a Wellington e não uma estratégia política eficiente. O que está em jogo, no fundo, é se o partido vai optar por um projeto de continuidade baseado na força do atual governador ou se manterá o tradicional arranjo de poder que consagrou Wellington ao longo das últimas duas décadas.

E Lula?

A complexidade da disputa pode levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ser chamado para intervir. A avaliação corrente é de que Lula terá, inevitavelmente, que arbitrar o impasse. Com a habilidade que lhe é conhecida, caberá ao presidente buscar uma saída que mantenha o equilíbrio interno do PT, preserve a força eleitoral da chapa no Piauí e, ao mesmo tempo, não gere rupturas prematuras.