A Polícia Civil do Piauí interditou, na manhã desta quinta-feira (29), uma das empresas do empresário Ricardo Dias de Sousa , suspeito de integrar um esquema de estelionato relacionado à venda de consórcios. A medida incluiu o cumprimento de mandados de busca e a suspensão imediata das atividades econômicas da empresa, por determinação judicial. A ação foi coordenada pela 1ª Delegacia Seccional e faz parte de uma série de inquéritos em andamento.

A empresa, localizada na Avenida Campos Sales, no Centro de Teresina, atuava como representante de uma administradora de consórcios e teve as atividades interrompidas após decisão da Justiça. Segundo as investigações, há indícios de práticas fraudulentas na comercialização de produtos financeiros. Os mandados foram expedidos para coletar documentos e outros materiais que possam esclarecer a atuação do grupo.

Foto: Alef Leão/GP1
Polícia Civil do Piauí

De acordo com o delegado Sérgio Alencar, titular da 1ª Delegacia Seccional, as diligências buscam identificar todos os envolvidos e dimensionar os prejuízos causados aos clientes. A investigação apura crimes cometidos por representantes de uma grande administradora de consórcios.

Empresário preso

O empresário Ricardo Dias de Sousa já havia sido preso no dia 6 de janeiro deste ano, no âmbito da mesma apuração. Ele é investigado por estelionato contra clientes que adquiriram consórcios com promessa de contemplação imediata. Segundo a Polícia Civil, os contratos firmados não garantiam a liberação rápida do crédito, apesar do que teria sido informado no momento da venda. O mandado de prisão foi solicitado em novembro de 2025.

As investigações apontam que a empresa oferecia supostas cartas de crédito já contempladas, com promessa de liberação em até 15 dias. Na prática, os clientes assinavam contratos comuns de consórcio, sem garantia de contemplação no prazo anunciado. Um dos casos apurados envolve pagamento de R$ 7.260,00 por uma vítima que acreditava receber o valor em até 30 dias. Após o pagamento, a liberação não ocorreu e os contatos foram interrompidos.

O inquérito teve início em 24 de julho de 2024, após representação criminal apresentada por uma das vítimas. Ela relatou ter sido atendida na sede da empresa por uma mulher que ofereceu o consórcio como carta contemplada. Após o prazo prometido, a contemplação não aconteceu, o que motivou o registro da denúncia. O caso passou a integrar a apuração conduzida pela 1ª Delegacia Seccional.

Sem anúncio no momento

Indiciado em outro inquérito

Ricardo Dias também foi indiciado em outro inquérito, junto com o vendedor Luiz Eduardo da Silva Rocha, no dia 30 de julho de 2024. O relatório policial descreve que a prática se repetia com diferentes clientes, incluindo a venda de um consórcio anunciado como carta contemplada no valor de R$ 400 mil. Uma das vítimas afirma ter pago R$ 16.540,66 via Pix e, ao solicitar esclarecimentos, foi informada de que o reembolso só ocorreria ao fim do consórcio ou por sorteio, conforme o contrato.