A sessão dessa sexta-feira (20) na Câmara de São João da Serra foi marcada por confusão e tumulto entre os vereadores. Na ocasião, os parlamentares decidiram, por unanimidade, a criação da comissão para apurar as denúncias de uma ex-funcionária da Casa contra o vereador Raimundo Coimbra (MDB), presidente da Câmara. Momentos depois, os ânimos ficaram exaltados no plenário, e o vereador Herbert Tôrres (MDB) se envolveu em um bate-boca com Coimbra.

Em vídeos que repercutiram nas redes sociais, o presidente da Câmara aparece segurando alguns papéis, quando Herbert Tôrres se levanta e tenta arrancá-los da mão de Raimundo Coimbra. Segundo o vereador envolvido na confusão, os documentos tratavam da comissão processante contra o presidente da Casa, e que agiu na tentativa de impedir que ele os levasse embora. O parlamentar também negou que tenha ocorrido qualquer agressão.

“Durante a sessão ele [Raimundo Coimbra] simplesmente pegou os documentos da comissão e queria sair do recinto com eles, assim como ele saiu, porque eu segurei os documentos e ele puxou e foi embora. Disse que eu o agredi, mas eu não trisquei nele, não houve agressão em momento algum”, afirmou o vereador Herbert Tôrres.

A comissão processante é presidida pelo vereador Eldo Lima, sob relatoria da vereadora Paloma André, e composta também pelo vereador Carlos César, e visa apurar a denúncia da ex-servidora contra o presidente da Casa, em que ela o acusa por assédio moral e ameaça de morte.

Outro lado

Procurado pelo GP1 , o presidente da Câmara Municipal de São João da Serra, Raimundo Coimbra, afirmou que está sofrendo perseguição política por não conceder o pagamento de diárias indevidas aos vereadores. “É inaceitável que um gestor seja perseguido justamente por ser recusar a compactuar com o desperdício de dinheiro público”, declarou.

Em relação à denúncia da ex-servidora, o presidente da Casa afirmou que se trata de uma insatisfação pessoal dela, após ele decidir exonerá-la. “Desde novembro eu a exonerei. Não é concursada. Sempre fomos amigos, nos demos muito bem, mas nos últimos meses [em serviço] ela inseria pautas que não estavam na ordem do dia, e sempre me colocava em maus lençóis com os outros vereadores”, argumentou Coimbra.

Sem anúncio no momento

Sobre as acusações, especialmente a de ameaça de morte, Raimundo Coimbra pontuou que a fala foi feita após insinuações da ex-servidora para que ele fosse deposto do cargo, as quais ele diz que respondeu “da boca para fora”.

“A suposta ameaça de morte, ela disse que poderia, se quisesse, acabar com qualquer um dos presidentes, porque tinha acesso a tudo e alimentava todos os sistemas. A ex-servidora estava há dez anos lá, e disse que o vereador seria afastado do cargo ou cassado, e eu disse que nem ela e nenhuma pessoa faria isso comigo. Porque se eu fosse julgado, condenado por um crime que eu não tivesse feito, essa pessoa pagaria. Eu não disse que matava ela, disse que matava qualquer pessoa que fizesse isso comigo, mas eu falei da boca para fora”, reforçou o presidente da Câmara de São João da Serra.