O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko , concedeu entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (23) para prestar esclarecimentos a respeito do caso envolvendo o estupro contra uma servidora dentro da delegacia geral, na última quinta (19). Durante atendimento à imprensa, o delegado ressaltou que o acusado tentou culpar a vítima pelo cometimento do crime.
Na entrevista, Luccy Keiko detalhou que a vítima foi socorrida por outra servidora que passava próximo a sala onde ela trabalhava. “As informações iniciais são de que outra servidora que havia saído da sala para o almoço retornou para pegar um capacete que havia esquecido. Quando ela passou em frente à sala onde se encontravam os dois [acusado e vítima], ouviu umas pancadas e se assustou. Quando ela retorna, o servidor que foi preso estava abrindo a porta, e ela viu a vítima caída. Nesse momento ele pediu ajuda, dizendo que ela tinha passado mal. Foi aí que passamos para os primeiros socorros”, afirmou a autoridade policial.
De imediato, o delegado-geral afirmou que foram prestados os primeiros atendimentos e após constatação da suspeita de estupro foi feita a condução do acusado para a Casa da Mulher Brasileira. “Nós providenciamos socorro imediato. Primeiro, fomos socorrê-la e estabiliza-la, depois verificar o que ocorreu. Ela foi encontrada em uma sala e nessa sala havia esse outro funcionário terceirizado, ele foi questionado, disse que ela entrou na sala dele e de repente passou mal e caiu, essas foram as informações iniciais”, disse.
Acusado alegou que ato sexual foi consensual
Já com a confirmação do hospital de que a vítima tinha sofrido violação sexual, o acusado, em um segundo depoimento, confessou o ato, mas alegou que a prática havia sido consensual. “Já no segundo interrogatório, com a presença do advogado dele, e de posse de algumas informações, fiz perguntas mais diretas ele já mudou o depoimento. Nesse interrogatório, ele já admitiu o fato, mas tentou culpar a vítima, alegando que tinha sido consensual, de pronto não acreditamos porque a vítima foi encontrada com sangue, aparente luxação no punho, totalmente inconsciente e não pediu ajuda imediata. A conduta dele foi muito estranha, então aliando esse fato da forma como ela foi encontrada, com ele sozinho na sala, admitindo que houve ato sexual, que tinha negado anteriormente, considerando o relato da servidora, constatamos que se tratava do crime de estupro. Ele foi levado para a Casa da Mulher Brasileira, depois passou por audiência de custódia e foi decretada a prisão preventiva”, completou o delegado-geral.
Luccy Keiko ressaltou ainda que determinou a designação das delegadas Nathália Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do DHPP, a delegada Bruna Verena, da Diretora de Proteção à Mulher e aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil do Piauí, juntamente com a delegada Lucivânia, da Casa da Mulher Brasileira, para a investigação completa do caso.
Funcionário era terceirizado na Polícia Civil desde 2018
"Esse indivíduo, servidor terceirizado, havia sido contratato em 2018, eu não o conhecida. Trabalhava no IML anteriormente, passou para o setor pessoal da delegacia geral da Polícia Civil na zona norte, e com a mudança do novo prédio, ele foi direcionado para cá. Havia três meses que ele estava aqui, e pelo tempo de contratação da vítima, eles se conheciam há cerca de dois anos. Fato ocorrido no momento do horário de almoço, em um setor administrativo, onde não há atendimento ao público nesse setor, evento totalmente imprevisível", detalhou.
O delegado ressaltou que foram requisitados todos os exames necessários para concluirmos o inquérito dentro do prazo e se houver necessidade, encaminhar o envio e peças complementares após o relatório. Restam serem apresentados os resultados dos exames toxicológico, o laudo que comprova o estupro, bem como demais exames realizados pela equipe do IML.