A delegada Nathália Figueiredo, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa ( DHPP ), concedeu entrevista na manhã desta sexta-feira (15) para tratar do indiciamento de José Antônio dos Santos Filho , que ateou fogo e matou a ex-esposa, Ângela Maria Santos, em Teresina. A coordenadora do Núcleo de Feminicídios classificou o acusado como “sádico” e disse que ele, em sede de depoimento, tentou culpar a vítima.
José Antônio foi indiciado pelos crimes de feminicídio consumado contra Ângela Maria, tentativa de feminicídio contra a ex-sogra, Maria do Socorro Sales Sena, além de lesão corporal contra a cunhada , Andréa Maria Sena Santos. Ele invadiu a residência da família, derrubando o portão com um carro, e jogou combustível em Ângela e na mãe dela, ateando fogo em seguida. Já Andrea ficou ferida com o impacto da batida no portão.
Segundo a delegada Nathália Figueiredo, o acusado prestou depoimento ainda internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), devido aos ferimentos que sofreu ao praticar o crime. “Quero deixar bem claro que o autor é um sádico. A gente via muita frieza no momento em que ele foi interrogado, e a gente via muita frieza, e em certos momentos ele tentava culpabilizar a dona Ângela, dizendo que ela o perseguia”, declarou.
Comportamento padrão
A coordenadora do Núcleo de Feminicídios ressaltou que esse tipo de comportamento é típico de criminosos que atentam contra a vida de mulheres. “A gente tem uma experiência no contexto de violência doméstica familiar e é geralmente isso que a gente espera como discurso de um agressor. A gente questionou algumas coisas e ele sempre tentando fazer esse jogo, e acreditamos que ele fazia isso com a dona Ângela, esse jogo psicológico, querendo culpabilizar a vítima de um crime nefasto e praticado por ele”, frisou.
Dependência emocional
A delegada explicou que a vítima tinha dependência emocional e enfatizou que isso não deve justificar qualquer tentativa de culpabilização.
Acusado já havia sido preso
Ainda conforme a delegada, José Antônio havia sido preso em janeiro deste ano por ter invadido a residência da vítima, mas foi solto após audiência de custódia, mediante uso de tornozeleira eletrônica.
“Em janeiro, ele utilizou o mesmo modus operandi, invadiu a casa em que a dona Ângela estava, chegou a agredir a dona Ângela e ameaçou a dona Andréa, que é irmã dela. As duas, na oportunidade, pediram medida protetiva, ele foi preso em flagrante, saiu em sede de audiência de custódia com a condição de tornozeleira eletrônica. Após três meses, foi retirada a tornozeleira”, informou Nathália Figueiredo.