O promotor Edilsom Farias , da 34ª Promotoria de Justiça de Teresina, expediu recomendação à presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Leopoldina Cipriano , para fornecer informações no âmbito da investigação que apura contratos precários de enfermeiros. A medida foi publicada na edição do dia 19 de maio do Diário Oficial do Ministério Público do Piauí (MP-PI).

Conforme apresentado pelo promotor, o órgão ministerial vem apurando denúncia sobre possíveis irregularidades na contratação e manutenção de profissionais de enfermagem sob vínculos precários (“substitutos”, “extras” e “temporários”) pela FMS, especificamente no Hospital e Maternidade do Promorar, zona sul da capital piauiense.

Foto: Lucas Dias/GP1
Fundação Municipal de Saúde

Ao longo da investigação, o MP-PI expediu diversos ofícios junto à FMS solicitando informações essenciais que irão substanciar os autos. No entanto, o órgão público municipal apresentou um pedido de dilação de prazo, o qual foi deferido, mas, mesmo após o encerramento do prazo adicional, não apresentou qualquer resposta.

Omissão de informações

Segundo Edilsom Farias, o não fornecimento de informações pelos agentes públicos ou particulares é “conduta impeditiva da ação ministerial e, consequentemente, da Justiça, constituindo abuso de poder”. Ele ressaltou também que as requisições feitas pelo Ministério Público são ordens legais dirigidas aos agentes públicos, e que seu desatendimento doloso pode configurar infração penal.

No caso da denúncia sobre os contratos precários de enfermeiros em unidade de saúde gerida pela FMS, o representante ministerial pontuou que a fundação ainda não atendeu nenhum dos ofícios encaminhados pelo Ministério Público, o que configura desatendimento injustificado às requisições ministeriais e embaraço às investigações e atuação do órgão ministerial.

Diante disso, recomendou que a presidente da FMS cumpra, no prazo de 10 dias, todas as requisições ministeriais pendentes, além de instaurar mecanismos de controle e gestão para assegurar o cumprimento dos ofícios e notificações expedidas pelo Ministério Público do Piauí. O promotor Edilsom Farias também determinou que a Fundação Municipal de Saúde não omita informações e nem mesmo realize novas contratações precárias fora das hipóteses legalmente autorizadas.

Sem anúncio no momento

Por fim, pede providências para regularização dos vínculos funcionais dos enfermeiros que atualmente estão com contratos de “substitutos”, “extras” e “temporários”.

Outro lado

Procurada pelo GP1 , a Fundação Municipal de Saúde (FMS) afirmou que recebeu a recomendação do Ministério Público do Piauí (MP-PI) e que está disposta a prestar os esclarecimentos necessários. O órgão pontuou que fez a maior convocação de aprovados em concurso público, com 1.362 aprovados chamados.

Segundo a FMS, corre dentro do órgão público ação de reorganização do quadro funcional, uma reestruturação que tem o objetivo de garantir um planejamento estratégico para futuras contratações.

Confira a nota da FMS na íntegra

A Fundação Municipal de Saúde informa que recebeu, na data de hoje, a recomendação expedida pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI). A FMS reconhece a importância da atuação ministerial e reafirma que está sempre à disposição para prestar os esclarecimentos necessários.

Em relação à demanda de pessoal, a FMS comunica que a nova gestão já realizou a maior convocação da história da instituição, com mais de 1.362 profissionais chamados. Hoje, inclusive, foi assinada autorização para a nomeação de mais 164 aprovados em concurso público.

A Fundação está conduzindo um processo de redimensionamento e reorganização do seu quadro funcional, com o objetivo de promover maior racionalidade financeira, eficiência e eficácia na prestação dos serviços de saúde. Essa reestruturação também busca garantir um planejamento estratégico para futuras contratações, alinhado às reais necessidades da rede e à responsabilidade na gestão pública.