A Juíza Júnia Feitosa , da 4ª Vara Criminal da Comarca de Teresina, condenou um homem identificado como Carlos Eduardo Maia Dias por estelionato e crime contra a saúde pública, após concluir que ele se passava por médico veterinário, utilizava documentos falsificados e aplicava medicamentos de uso restrito em animais sem habilitação profissional. A sentença foi assinada proferida em 26 de maio de 2026.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado , Carlos Eduardo atuou entre 2017 e 2018 realizando atendimentos veterinários domiciliares em Teresina. Durante os atendimentos, ele se apresentava como médico veterinário, coletava amostras de sangue, realizava diagnósticos e prescrevia tratamentos para animais de estimação.
Para dar aparência de legalidade aos procedimentos, o falso veterinário produzia supostos exames laboratoriais utilizando o nome de uma clínica inexistente chamada “Clinivet” e falsificava a assinatura e o carimbo profissional de uma médica veterinária, sem autorização da profissional.
As investigações tiveram início após a veterinária descobrir que seu nome e registro profissional estavam sendo utilizados em laudos veterinários falsos. Ao verificar os documentos, ela constatou que a clínica indicada nos exames não existia no Piauí. A partir daí, outras vítimas foram identificadas pela polícia.
Outra vítima, tutora de um cão, relatou ter procurado indicação de um veterinário após o animal apresentar vômitos e diarreia com sangue. Carlos Eduardo realizou atendimento domiciliar, recolheu sangue para exames e iniciou imediatamente a aplicação de medicamentos. Posteriormente, informou que o animal sofria de diversas doenças graves, como anemia, pneumonia, infecção urinária, leishmaniose e parvovirose, indicando uma série de medicamentos. A vítima afirmou ter pago cerca de R$ 500 pelos serviços e desconfiou da atuação do acusado ao perceber incoerências nos diagnósticos e procedimentos.
Um casal de tutores de outro cão teria pago R$ 220 por consulta, exames e medicamentos, recebendo diagnóstico de diversas doenças graves. O tratamento completo foi orçado em R$ 590. Após consultarem outro veterinário, as vítimas descobriram que os exames eram fraudulentos. O animal posteriormente precisou ser sacrificado.
Operação policial
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do acusado, a polícia encontrou laudos veterinários com o timbre da suposta clínica Clinivet, medicamentos de uso restrito, seringas, equipamentos utilizados nos atendimentos e um carimbo em nome da médica veterinária.
Na sentença, a magistrada entendeu que ficou comprovado o crime de estelionato, uma vez que o réu utilizava a falsa condição de médico veterinário para enganar proprietários de animais e obter vantagem financeira indevida. Também foi reconhecida a prática do crime de manter e administrar produtos destinados a fins terapêuticos sem observância das normas sanitárias e sem a devida habilitação profissional.
Ao final, Carlos Eduardo Maia Dias foi condenado a dois anos de reclusão e 20 dias-multa.