O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) instaurou um inquérito civil para apurar denúncia de existência de “servidores fantasmas” na Prefeitura de Isaías Coelho , administrada pelo prefeito Demazinho (PDT). O procedimento foi instaurado pelo promotor de Justiça Sebastião Jacson Santos Borges , por meio de portaria publicada na última sexta-feira (26).
O inquérito vai investigar um caso específico envolvendo uma servidora de iniciais L.R.M. A denúncia afirma que a situação ocorreria em razão de suposto apadrinhamento político, por ela ser irmã do presidente da Câmara Municipal, aliado do prefeito.
A investigação teve início após uma denúncia encaminhada à Ouvidoria relatar supostas irregularidades na administração municipal, com a existência de servidores que estariam recebendo salários sem exercer suas funções, prática conhecida como “servidor fantasma”. A denúncia também aponta que os pagamentos seriam realizados com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Segundo a investigação, L.R.M. ocupa o cargo efetivo de auxiliar de serviços gerais e está formalmente lotada na Secretaria Municipal de Educação, com exercício na Escola Municipal Lauro Coelho Ferreira. No entanto, conforme o Ministério Público, a atual gestão municipal informou não possuir registros de controle de frequência ou folhas de ponto da servidora referentes aos anos de 2023 e 2024.
Ainda segundo o procedimento, a servidora foi notificada para apresentar esclarecimentos e documentos que comprovassem sua rotina de trabalho, como escalas, fotografias e relatórios de atividades. Em resposta inicial, ela atribuiu a ausência dos registros à desorganização do setor de pessoal da prefeitura. Posteriormente, porém, não apresentou a documentação solicitada dentro do prazo estabelecido pelo Ministério Público.
Durante a tramitação do procedimento, uma nova denúncia anônima também foi anexada aos autos. Nela, há a informação de que a servidora teria deixado completamente de prestar serviços ao município desde janeiro de 2025, permanecendo, ainda assim, recebendo remuneração.
Diante da necessidade de aprofundar a apuração e da existência de novos elementos, o Ministério Público converteu o procedimento preparatório em inquérito civil e realizará novas diligências, para verificar se houve prática de improbidade administrativa e eventual dano aos cofres públicos.
Outro lado
O prefeito Demazinho não foi localizado pelo GP1 para comentar a investigação. O espaço está aberto para esclarecimentos.