O empresário rural Hugo Prado Filho , figura de destaque nos círculos do agronegócio do Piauí e Maranhão, protocolou pedido de recuperação judicial que expõe um passivo de mais de R$ 246 milhões. O valor expressivo revela a dimensão das operações conduzidas pelo produtor e acende um alerta sobre a fragilidade financeira de grandes players do setor agrícola regional.
O passivo, que totaliza R$ 246.193.646,69 (duzentos e quarenta e seis milhões, cento e noventa e três mil, seiscentos e quarenta e seis reais e sessenta e nove centavos), está majoritariamente concentrado em três grandes instituições financeiras: Banco do Brasil, Itaú BBA e Caixa Econômica Federal. Além dos bancos, constam na lista de credores fornecedores estratégicos de insumos agrícolas, como a Agro Amazônia, evidenciando o impacto sistêmico da crise sobre a cadeia produtiva.
No pedido judicial, ajuizado no dia 21 de novembro, Hugo Prado Filho apresenta uma narrativa de crise deflagrada por três fatores estruturais. O motivo central apontado para a insolvência é o calote da empresa Terrus S/A (vinculada ao grupo Insolo), que teria deixado de honrar um contrato de venda de ativos — incluindo máquinas, implementos e veículos — no valor de R$ 38 milhões. Segundo a petição, a empresa paulista também deixou de pagar pela opção de compra de 2.448 hectares de terras, ocupadas ilegalmente durante duas safras consecutivas e não efetuou os pagamentos do arrendamento de 10.477 hectares, privando o produtor de receita passiva essencial para o cumprimento de obrigações financeiras.
Somam-se a esse cenário adversidades operacionais e de mercado que agravaram ainda mais o quadro. Um incêndio em equipamentos de secagem de grãos no início de 2023 comprometeu a infraestrutura de processamento, enquanto a queda acentuada nos preços da soja no mercado internacional pressionou as margens de lucro e a capacidade de geração de caixa do produtor.
Apesar da situação crítica, o empresário sustenta que a atividade permanece economicamente viável. Como evidências, apresenta o ciclo operacional ativo, com investimentos recentes em insumos para a safra de 2025, além de contratos futuros garantidos para a venda de 70 mil sacas de soja (safra 2025/2026) junto à CHS Agronegócio. A base patrimonial robusta, composta por terras e maquinário, é oferecida como garantia da recuperação. A recuperação judicial visa suspender as ações de credores, reestruturar o endividamento e preservar a continuidade das operações — além dos empregos gerados pela atividade rural. A estratégia busca ganhar fôlego para reorganizar o fluxo de caixa e evitar a liquidação forçada dos ativos.
O caso de Hugo Prado Filho se insere em um cenário mais amplo de estresse financeiro no agronegócio brasileiro, pressionado pela alta dos custos de produção, volatilidade cambial, inadimplência em cadeias de fornecimento e retração de preços de commodities. O desfecho do pedido será acompanhado de perto pelo mercado regional, dada a relevância do empresário no agronegócio piauiense e o volume dos valores envolvidos.
Outro lado
O empresário Hugo Prado Filho não foi localizado para comentar o caso. O espaço está aberto para esclarecimentos.