As festas de fim de ano da servidora do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), Ana Beatriz Gori , foram marcadas apenas pela saudade e tristeza que sente por passar as datas comemorativas longe do filho. A criança, de apenas cinco anos, foi levada em um voo clandestino para Portugal pelo próprio pai, o empresário português José Alberto Mendes Sampaio.
Ele contou com a ajuda de algumas pessoas nessa empreitada. O trajeto iniciou na cidade de Altos, no Piauí, onde uma aeronave levou o filho de Ana Beatriz e o ex-marido para Paragominas. O percurso também incluiu um voo de Paragominas para o Iapoque, onde atravessaram para outro país, e depois foram de Guiana para Portugal. A rota é conhecida pelo tráfico de drogas e de crianças.
A funcionária pública acusa um coronel da reserva da Polícia Militar do Piauí (PM-PI) de ter emprestado a aeronave ao empresário português, que nos últimos dias festejou o Ano Novo com amigos em estabelecimentos de luxo em Barra Grande.
Ao GP1 , Ana Beatriz Gori disse estar profundamente abalada com a situação, por ver as pessoas que contribuíram com a separação dela e do filho comemorando, enquanto o sofrimento assola a vida dela e da família. “Enquanto eu chorava a ausência do meu filho no fim de ano, pessoas que ajudaram no crime se divertem. Ele [coronel] disse que conheceu meu ex-marido em abril e emprestou o avião, pois ele disse que queria visitar uma fazenda. Meu Natal e Ano Novo foram em uma cama, com muita tristeza e saudades”, afirmou a servidora.
Abraço de despedida
O último contato físico entre a servidora e o filho ocorreu em julho de 2025, quando ele iria passar 15 dias de férias com o pai. A última vez que mãe e filho puderam se abraçar foi um momento marcado pela tristeza e gritos de uma criança que já sentia saudades do colo e do carinho materno.
Seis meses depois, a única maneira que Ana Beatriz Gori tem de contato com o filho é através de ligações, muitas delas monitoradas pelo ex-marido. “Meu filho foi arrancado dos meus braços aos berros, e os responsáveis hoje comemoram. É muito doloroso ver pessoas que contribuíram para tanto sofrimento estarem festejando. É muito revoltante saber que basta ter dinheiro e influência para poder levar a vida como se não tivessem feito nada de errado”, lamentou a funcionária pública.
Atualmente, além da saudade da criança, Ana Beatriz encara processos movidos pelo ex-marido, em que é acusada de sequestro internacional e de falsificar os documentos do filho. Enquanto isso, ela ainda tenta cobrar as autoridades brasileiras e portuguesas, na tentativa de reaver o convívio com o menino.