Após noticiar a denúncia do Ministério Público do Estado do Maranhão contra os alvos da Operação Barão Vermelho 03, o GP1 divulga, com exclusividade, detalhes da atuação do grupo, suspeito de atuar de forma estruturada em crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, receptação de veículos roubados, falsificação de documentos, agiotagem e ocultação de patrimônio ilícito.
A denúncia foi ajuizada no dia 17 de novembro pelos promotores Francisco Fernando, Tharles Cunha, Fernando Berniz, Ana Carolina Cordeiro, Marcos Valentim e Raphael Bruno, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
Entre os denunciados, estão Edney de Sousa, Dayrlane Vilarinho e Silva, Josimar Barbosa de Sousa , Tereza Cristina de Sousa Pacheco Barbosa, Caio Felipe Pacheco Fortunato, Angélica Florinda Pacheco Barbosa Barros, J. G. M., Jefferson de Moraes Marinho Filho e Josiel Meneses de Carvalho Júnior, além de outros investigados.
Segundo o Gaeco, os alvos dessa denúncia integram o núcleo de lideranças e familiares dessas pessoas apontadas como chefes da organização criminosa.
Um dos principais focos da denúncia é a utilização de empresas para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas. Entre as empresas investigadas estão a Barão Veículos e a ACF Comércio e Serviços Automotivos Ltda., ambas de responsabilidade do empresário Josimar Barbosa de Sousa e localizadas em Teresina.
Os valores movimentados no esquema criminoso chamam atenção. Somente uma das empresas investigadas, registrada como de pequeno porte, movimentou valores superiores a R$ 100 milhões, montante considerado incompatível com seu perfil econômico.
Liderança e comando do esquema
Edney de Sousa e o empresário Josimar Barbosa figuram como responsáveis pela coordenação geral da organização criminosa, articulação dos crimes antecedentes e estruturação da lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, Josimar foi identificado como integrante central da Organização Criminosa (ORCRIM) responsável pela complexa rede de lavagem de capitais e pela coordenação de diversos crimes antecedentes nos estados do Maranhão e Piauí. Sua atuação foi caracterizada pela estabilidade, comando e pela dissimulação patrimonial contínua, conforme demonstrado a seguir.
Já Edney figura como importante membro da aludida Organização Criminosa (ORCRIM), cujos crimes abrangem tráfico de drogas, roubo/desvio de cargas, agiotagem, receptação de ouro ilegal e lavagem de capitais, dentre outros.
De acordo com o Gaeco, toda a movimentação financeira ilegal de Edney de Sousa contava com o apoio direto de sua mãe, Dayrlane Vilarinho que lhe concedia livre acesso a sua conta bancária, funcionando também como mais uma interposta pessoa do esquema.
Núcleo familiar utilizado para lavagem e ocultação patrimonial
Familiares diretos de Josimar, descritos na denúncia como laranjas e beneficiários, com atuação na formalização de empresas, recebimento de valores e dissimulação patrimonial. São eles: a esposa do empresário, Tereza Cristina Fortunato, e os dois filhos do casal, a médica Angélica Barbosa e o dentista Caio Felipe Barbosa. A família chegou a ser presa em novembro de 2024, em operação da Polícia Civil do Piauí.
Tereza possuía participação ativa na ORCRIM e na lavagem de capitais por meio da estrutura societária. Ela é sócia gerente e detém 50% de participação na empresa ACF Comércio e Serviços Automotivos Ltda, uma das pessoas jurídicas centrais no esquema, por fazer parte de um grupo de empresas com esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro para a facção criminosa Bonde dos 40.
Angélica, segundo as investigações, está diretamente ligada à estrutura familiar da ORCRIM e é beneficiária do esquema de lavagem de capitais, tendo sido identificada como beneficiária de transações financeiras suspeitas.
Caio Felipe participava da lavagem de capitais tanto no âmbito empresarial quanto na ocultação patrimonial do grupo, caracterizando sua atuação como coautor na ORCRIM. Ele é Sócio da ACF Comércio e Serviços Automotivos Ltda e consta no quadro societário da Barão Veículos, empresas que são veículos da lavagem, conforme apontou as investigações.
Vínculo com facção
A denúncia também aponta conexões entre o grupo investigado e a facção criminosa Família do Norte (FDN). O principal elo seria William Romário de Carvalho Aquino, apontado como um dos líderes do esquema.
Conversas interceptadas, sob ordem judicial, indicam negociações relacionadas ao transporte de drogas em regiões de fronteira, como Ponta Porã (MS), próxima ao Paraguai e à Bolívia, áreas consideradas estratégicas para o narcotráfico internacional. Movimentações financeiras reforçam a atuação entre a facção e o núcleo financeiro investigado.