O juiz Rostonio Uchoa Lima Oliveira , da 1ª Vara da Comarca de Esperantina, designou para o dia 26 de março de 2026, às 9 horas, a audiência de instrução da ação penal que tem como réu o engenheiro Rhuan Ananias Coelho Morais , acusado de homicídio doloso. A sessão será realizada na Sala de Audiências do Fórum de Esperantina, localizado na Praça Poeta Antônio Sampaio, S/N, Centro, e poderá contar com a participação presencial de partes, advogados e testemunhas ou por meio de videoconferência. O caso ganhou repercussão após o trágico atropelamento que vitimou o adolescente Marcos Vinicius de Sousa Alves , de 15 anos, em outubro de 2023.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o engenheiro conduzia um veículo Toyota Hilux SW4 com a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool quando atropelou e matou o estudante na rodovia PI 211, entre os municípios de Joaquim Pires e Esperantina. O Ministério Público enquadrou o crime no artigo 121 do Código Penal, sustentando que o acusado agiu com dolo eventual, ao assumir conscientemente o risco de produzir o resultado fatal ao dirigir embriagado.
As investigações revelam que, no momento da colisão, a motocicleta conduzida pela vítima se deslocava no sentido leste-oeste pela PI-211, partindo do bairro São José com destino ao Centro. O veículo do engenheiro seguia no sentido oposto, oeste-leste, quando supostamente invadiu a pista contrária, provocando a colisão frontal. O impacto foi tão violento que o adolescente foi projetado por aproximadamente 5 metros pela malha asfáltica até o acostamento.
Testemunhas relatam que, após o acidente, o engenheiro desceu do veículo e, ao avistar um terceiro se aproximando, teria solicitado que o levasse para a entrada da cidade, numa aparente tentativa de se evadir do local. Segundo a acusação, Rhuan havia passado a noite anterior participando das festividades da Expofeira em Joaquim Pires, onde consumiu bebidas alcoólicas. O grupo teria se dirigido posteriormente à Padaria Águia Central, onde o consumo de álcool continuou até momentos antes do acusado assumir a direção de seu veículo.
O promotor fundamenta a tese de dolo eventual em três elementos principais: o consumo excessivo de álcool, comprovado por exame de alcoolemia; a condução do veículo em velocidade incompatível com a permitida; e a invasão da contramão, que resultou na colisão frontal com a motocicleta da vítima. A perícia técnica, no entanto, não conseguiu determinar com precisão os motivos específicos que levaram o veículo a invadir a pista contrária, aspecto que adiciona complexidade à análise do caso.
A audiência de instrução será o momento processual decisivo para o esclarecimento dos fatos, quando testemunhas serão ouvidas e novas evidências poderão ser apresentadas. A defesa do engenheiro terá a oportunidade de contestar as alegações da acusação e apresentar sua versão dos acontecimentos. A sociedade de Joaquim Pires e região acompanha com atenção o desenrolar do processo, que envolve questões sensíveis como embriaguez ao volante, responsabilidade penal e a dor de uma família que perdeu prematuramente um jovem de apenas 15 anos.