Os postos da Rede HD no Piauí continuarão interditados. A decisão da Justiça do Piauí foi divulgada nesta quarta-feira (25) e atendeu a um pedido do Ministério Público do Estado em ação cautelar.
De acordo com informações da promotora de Justiça, Nayana da Paz , os ativos financeiros dos denunciados também continuam bloqueados “com o objetivo de impedir a continuidade das atividades ilícitas”.
Ainda segundo a promotora, o Ministério Público peticionou por mais de uma vez requerendo o levantamento integral do sigilo do processo. "por entender que é importante a prestação de contas junto à sociedade".
Nesta quarta-feira (25), o Ministério Público do Estado do Piauí denunciou 12 pessoas investigadas no âmbito da Operação Carbono Oculto 86. O GP1 apurou que entre os denunciados estão: Haran Santhiago Girão Sampaio , Danillo Coelho de Sousa , Thamyres Leite Moura Sampaio , Thayres Leite Moura Coelho , Moisés Eduardo Soares Pereira , Salatiel Soido de Araújo , Denis Alexandre Jotesso Villani , Andressa Castro Alves de Oliveira , João Revoredo Mendes Cabral Filho e Victor Linhares de Paiva .
De acordo com as investigações, o grupo seria parte do braço financeiro e operacional de uma organização criminosa originalmente apurada no estado de São Paulo, o PCC, mas com atuação também no Piauí.
A denúncia aponta a prática de diversos crimes em território piauiense, como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento de consumidores, falsidade ideológica e lavagem de capitais. Segundo o Gaeco, consumidores já vinham percebendo irregularidades e chegaram a registrar boletins de ocorrência relatando prejuízos.
As fraudes teriam ocorrido ao longo de quase uma década, entre 2016 e 2025, em postos vinculados ao grupo investigado. As irregularidades envolvem tanto a qualidade quanto a quantidade de combustíveis comercializados, e foram identificadas a partir de fiscalizações realizadas por órgãos como o Instituto de Metrologia do Estado do Piauí, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e o Procon do próprio Ministério Público.
Além das fraudes, os investigados também são acusados de lavar dinheiro por meio da ocultação da atividade societária e uso de “laranjas”, com o objetivo de disfarçar a origem ilícita dos recursos.
Mesmo após decisões de primeira instância que haviam liberado o funcionamento dos estabelecimentos e desbloqueado ativos financeiros, o MPPI recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, conseguindo medida cautelar que manteve a interdição dos postos e o bloqueio de bens dos investigados.
Na ação penal, o Ministério Público também pede a condenação dos denunciados ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 74,2 milhões. O órgão aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia e a eventual abertura do processo.
O Ministério Público destacou que seguirá atuando de forma integrada com órgãos de fiscalização e persecução penal para responsabilizar os envolvidos e garantir a proteção dos consumidores.