A Justiça Federal impôs um duro revés à médica Loyana Teresa Teófilo Lima Silva , alvo central da "Operação Difusão", que investiga um complexo esquema de corrupção e desvio de recursos públicos na saúde. Em decisão proferida nessa quarta-feira (10) pelo juiz Gustavo André Oliveira dos Santos , da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí, a investigada foi proibida de prestar serviços em qualquer hospital vinculado à Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina ou à Secretaria de Saúde do Estado (SESAPI). A medida atende a uma representação da Polícia Federal, que aponta o risco de continuidade delitiva caso a médica mantivesse trânsito nas unidades públicas de saúde, mesmo que por meio de empresas privadas.
Antes de analisar as medidas restritivas, o magistrado rejeitou o pedido da defesa para transferir o caso para a Justiça Estadual. Os advogados de Loyana argumentavam que os repasses eram feitos na modalidade "fundo a fundo", o que supostamente afastaria o interesse direto da União. No entanto, o juiz manteve o entendimento de que as verbas são originárias do Sistema Único de Saúde (SUS) e sujeitas à fiscalização federal, seguindo jurisprudência já firmada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A disputa sobre a competência do caso agora aguarda um desfecho definitivo no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O avanço das investigações revelou detalhes comprometedores extraídos do aparelho celular da médica e de relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo a Polícia Federal, Loyana e seu marido, Jaime Chagas Oliveira Júnior, seriam os verdadeiros proprietários da empresa Nefrolife, utilizando Lucas Eduardo dos Santos Matos como "laranja" no quadro societário. A quebra de sigilo bancário mostrou que a médica movimentou mais de R$ 7,6 milhões entre 2023 e 2025, recebendo repasses vultosos da empresa e do sócio de fachada, o que, para os investigadores, caracteriza uma tentativa de dissimular a origem ilícita dos valores.
Outro ponto crucial da decisão baseia-se em auditorias do Denasus, que constataram que a Nefrolife recebia por serviços que nunca prestou efetivamente. No Hospital de Urgências de Teresina (HUT), por exemplo, hemodiálises cobradas pela empresa eram, na verdade, realizadas por profissionais do próprio quadro do hospital. O relatório aponta que a FMS pagou mais de R$ 650 mil por procedimentos onde não houve a prestação de serviço pela contratada. Além disso, a investigação aponta que o edital de licitação teria sido "ajustado" para beneficiar a Nefrolife, com a conivência de agentes públicos.
Diante desses novos elementos, o juiz reconsiderou uma autorização anterior que permitia a Loyana compor a escala de nefrologia pediátrica do HUT no âmbito privado. O magistrado acolheu o argumento do Ministério Público Federal de que permitir sua atuação no hospital seria reintegrá-la ao centro das irregularidades. "Autorizá-la a atuar no HUT não é permitir o trabalho privado comum, mas sim permitir que continue a gerir a empresa que está no cerne do desvio de recursos públicos", destacou o juiz na decisão que barrou a continuidade do trabalho da médica naquelas unidades.
Atualmente, Loyana Teresa permanece afastada de suas funções públicas na SESAPI e na FMS, mantendo o recebimento de sua remuneração conforme determina a legislação para servidores afastados preventivamente. A nova proibição limita drasticamente seu campo de atuação, impedindo qualquer vínculo com a rede pública estadual e municipal, seja de forma direta ou por intermédio de empresas terceirizadas. A médica ainda pode exercer a profissão, mas sua prática fica restrita exclusivamente a hospitais da rede privada que não possuam convênios ou gestão ligada aos órgãos públicos citados no inquérito.