A Polícia Civil da Paraíba , em conjunto com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Civil do Rio de Janeiro, deflagrou nesta terça-feira (30) a Operação Asfixia para combater o poderio financeiro do Comando Vermelho. Foram cumpridos 26 mandados de prisão preventiva, 32 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de mais de R$ 125 milhões. Durante as diligências, um policial civil de 23 anos foi baleado em Cabedelo e encaminhado para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, onde permanece em estado estável.

As ordens judiciais estão sendo cumpridas em várias cidades paraibanas, entre elas João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita, Campina Grande, Cabaceiras e Nova Floresta, além de comunidades do Rio de Janeiro. O principal alvo é Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, atual líder da célula do Comando Vermelho na Paraíba. Apesar de estar foragido, escondido em território dominado pela facção no Rio, ele continua dando ordens para o cometimento de crimes no estado, principalmente em Cabedelo, onde a facção mantém atuação mais intensa.

Foto: Divulgação/Polícia Civil
Operação contra o Comando Vermelho na Paraíba

Fatoka já havia sido preso em novembro de 2018 na cidade de Japaratinga, em Alagoas, mas fugiu em 10 de setembro do Presídio de Segurança Máxima da Paraíba, junto com outros 92 detentos. Desde então, a polícia aponta que ele retomou a liderança das atividades da facção no estado, mantendo forte influência sobre o tráfico de drogas, extorsões e outros crimes organizados. Parte dos seus comparsas também está escondida no Rio de Janeiro, para onde fugiram após sucessivas operações policiais da Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (Sesds).

As investigações revelaram que a estrutura financeira do grupo movimentou valores que ultrapassam R$ 250 milhões. Os recursos circulavam por meio de contas em nome de laranjas e empresas de fachada, usadas para mascarar a origem ilícita do dinheiro. A apuração mostrou que o grupo buscava não apenas fortalecer as atividades criminosas locais, mas também ampliar a rede de influência da facção carioca no território paraibano.

Segundo os investigadores, mesmo em condição de foragido, Fatoka mantém comunicação com os comparsas por meio de intermediários e aplicativos criptografados. As ordens variam desde a execução de rivais até a cobrança de valores de comerciantes e empresários sob ameaça, reforçando o controle da facção em áreas estratégicas da Grande João Pessoa. A atuação direta dele teria relação com recentes disputas violentas registradas em Cabedelo e cidades vizinhas.

O policial ferido durante a operação em Cabedelo foi socorrido rapidamente e levado ao Hospital de Trauma de João Pessoa. A unidade de saúde informou que o estado clínico do agente é considerado estável. Ele não teve a identidade revelada.

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