O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a direcionar críticas ao modelo de punição aplicado a agressores de mulheres, afirmando que a possibilidade de liberdade mediante uso de tornozeleira eletrônica não garante segurança às vítimas. Em discurso na 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, Lula citou o episódio envolvendo Jair Bolsonaro, que tentou violar o equipamento, como exemplo de fragilidade do sistema e reforçou que muitas mulheres temem denunciar pela falta de proteção efetiva.
O petista afirmou estar alarmado com a escalada de feminicídios no país e prometeu transformar o enfrentamento a esse tipo de violência em prioridade do governo federal. Ele disse que pretende reunir representantes dos Três Poderes e setores sociais para discutir medidas conjuntas, embora tenha reconhecido que a articulação ainda este ano enfrenta dificuldades. Para Lula, a responsabilidade pelo combate à violência contra mulheres deve recair principalmente sobre os homens, já que, segundo ele, a agressão parte quase sempre do lado masculino.
O discurso também ganhou contornos eleitorais. Lula pediu que eleitores rejeitem “negacionistas” e figuras que, nas palavras dele, provocaram retrocessos recentes no país. Sem citar nomes, o presidente reagiu a movimentos políticos que articulam candidaturas para 2026 e fez um apelo para que a população escolha representantes comprometidos com políticas sociais e proteção das instituições democráticas.
O presidente encerrou o pronunciamento com analogias duras, afirmando que o país não pode entregar novamente o comando a grupos que classificou como “tranqueiras”. Para sustentar o argumento, comparou adversários políticos à “raposa solta no galinheiro”, insistindo que uma escolha equivocada nas urnas traz consequências diretas para a vida da população.