O policial rodoviário federal Fabrício Loiola deixou a chefia da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Piauí no último dia 2 de abri l e iniciou um novo momento em sua trajetória, com filiação ao partido Republicanos e possibilidade de disputar uma vaga de deputado federal nas eleições deste ano. Em entrevista ao GP1 , nesta terça-feira (14), ele fez um balanço da gestão, criticou a ineficiência do serviço público e apresentou ideias que pretende levar ao debate político, mas foi taxativo ao dizer que não vai se conformar com a velha política.

Ao avaliar sua passagem pela PRF no Piauí, Loiola destacou a adoção de práticas como indicadores de desempenho, transparência e o aperfeiçoamento no uso de inteligência. Segundo ele, a estratégia permitiu aumentar a eficiência das operações.

Foto: Alef Leão/GP1
Fabrício Loiola

“A gente fez uma transformação interna e externa na Polícia Rodoviária Federal com base em princípios privados. O serviço público no Brasil é muito ineficiente, incapaz de atender às demandas do cidadão e ainda alimenta o ego de servidores. Precisa de ferramentas de cobrança. Temos pessoas altamente capacitadas no serviço público e precisamos aprender a utilizar as ferramentas da melhor forma. Então, eu sempre busquei trazer para a PRF ferramentas de gestão que a iniciativa privada usa, como indicadores de desempenho, transparência, compliance, para que a gente tenha um serviço público capaz de atender o cidadão”, declarou o policial.

PRF em números

Segundo o ex-chefe da PRF, a otimização do trabalho fez com que a corporação conseguisse melhores resultados, mesmo com a diminuição de abordagens nas rodovias federais no Piauí. “Reforçamos a equipe de inteligência e as abordagens passaram a ser mais assertivas. “A gente reduziu a quantidade de abordagens e bateu recorde de apreensão de drogas em 2025, recorde de apreensão de madeira ilegal, recorde de apreensão de animais silvestres e recorde de recuperação de veículos roubados. Então, será que a gente estava fazendo certo?”, frisou.

Em relação à mortalidade nas rodovias, Fabrício Loiola informou que também houve uma diminuição, a partir de estudos que revelaram que a maioria dos acidentes fatais estava ocorrendo em trechos urbanos, das 6h às 9h e das 14h às 17h.

Foto: Alef Leão/GP1
Fabrício Loiola

“A gente passou a fiscalizar mais nesse horário. Saímos de um acréscimo de 30% na mortalidade para fechar o ano com a redução de 2%. Esse ano, iniciamos os três primeiros meses com redução de 14% da mortalidade. A primeira vez em muitos anos. Então, é um trabalho voltado para investimento em tecnologia, decisões com base em evidências e dados para que a gente possa entregar o melhor serviço para o cidadão”, destacou Loiola.

Sem anúncio no momento

Política

O inconformismo com a burocracia e ineficiência em alguns setores do serviço público fez com que Fabrício Loiola buscasse novos desafios, dessa vez, na política. “A ineficiência do serviço público me incomoda absurdamente. Porque eu vi que nós entregamos muito para a sociedade, mas a gente pode entregar mais. A burocracia tem uma importância, até certo ponto, quando ela obriga o gestor a deixar rastro e ser fiscalizado. Mas ela não pode ser impeditiva de concretização de políticas públicas. Então, eu vi nesses convites uma oportunidade de participar do debate. Tenho opiniões muito duras em relação a isso”, enfatizou.

Inicialmente, o ex-superintendente foi convidado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para prestar assessoria aos comitês de Segurança Pública da Casa. Ele deve decidir se inicia esse trabalho ou se disputa as eleições, o que deve definir até o final desta semana.

Para a direção do partido, Fabrício Loiola impôs algumas condições. Uma delas é a garantia de sua autonomia e liberdade para defender as bandeiras que representa. “Fiz algumas exigências. Uma delas é a liberdade de discurso. Já tenho meu emprego, trabalho muito, não preciso de indicação de ninguém. Então, eu não abro mão de falar o que eu penso, de questionar e de fazer a sociedade repensar”, colocou.

Contra a “velha política”

Foto: Alef Leão/GP1
Fabrício Loiola

Fabrício Loiola fez duras críticas ao que chama de “velha política”, e garantiu ter uma postura totalmente oposta. “Não esperem de mim a velha política. Eu me recuso. Vocês não vão me ver distribuindo comida em troca de foto, para humilhar o cidadão. Participo de diversas ações sociais, tanto que na PRF a gente arrecadou 677 bolsas de sangue em Picos e arrecadamos oito toneladas de leite em pó para crianças em tratamento no ano passado”, disse.

"Antes de assumir a superintendência da PRF, eu tive cinco anos entre diretorias e ministérios, fazendo assessoria, em Brasília. É um ambiente que eu conheço muito. É um ambiente muito difícil. Eu foco na solução", ressaltou.

Ideias defendidas

Entre as pautas que pretende defender, caso avance com a pré-candidatura, Fabrício Loiola destacou: a revisão de critérios de acesso a recursos do Fundo Amazônia, incluindo estados fora da Amazônia Legal; investimento em tecnologia para segurança pública, com integração de sistemas; valorização de professores e lideranças comunitárias no combate ao tráfico de drogas; revisão de políticas de segurança e do sistema de Justiça, com foco em prevenção; e penas mais durar para crimes de trânsito.

“O Piauí não pode utilizar recursos do Fundo Amazônia, porque é só para os estados que têm a Amazônia Legal Por um critério meramente geográfico, o Piauí não usa. Em 2025, nós fomos o quinto estado onde a PRF mais apreendeu madeira ilegal. Além disso, o gasto com encarceramento no Brasil chega a 20 bilhões de reais por ano e a gente não tem programas para recompensar o professor, o líder comunitário que vai trabalhar na cabeça do jovem em enfrentamento ao tráfico de drogas. Então, a minha ideia é questionar o que está posto”, apontou.

Experiência em Brasília

Com passagens anteriores por diretorias e ministérios, Fabrício Loiola afirmou conhecer o ambiente político em Brasília e reconheceu as dificuldades do processo legislativo. “Antes de assumir a superintendência da PRF, eu tive cinco anos entre diretorias e ministérios, fazendo assessoria, em Brasília. É um ambiente que eu conheço muito, um ambiente muito difícil. Mas eu foco na solução”, concluiu.