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Política

Ex-diretor da Dersa nega irregularidades em obras durante CPI do Cachoeira

Vieira de Souza também afirmou ser falsa a acusação de que teria desviado R$ 4 milhões da campanha eleitoral tucana de 2010.

O ex-diretor do Departamento de Obras Rodoviárias de São Paulo (Dersa) Paulo Vieira de Souza, também conhecido como Paulo Preto, disse não haver irregularidades nas obras viárias comandadas pelo órgão durante sua gestão. Durante sessão da CPI do Cachoeira nesta quarta-feira, 29, Vieira de Souza também afirmou ser falsa a acusação de que teria desviado R$ 4 milhões da campanha eleitoral tucana de 2010.

“Eu queria saber quem é meu inimigo. Se passaram dois anos e não há um processo contra mim”, disse aos parlamentares. Formalmente, o ex-diretor foi convocado à CPI para explicar suspeitas de superfaturamento na obra de ampliação da marginal Tietê, parte dela sob responsabilidade da Delta, construtora apontada pela Polícia Federal como integrante do esquema de Carlinhos Cachoeira.

Seu nome surgiu na CPI após declarações do ex-diretor do Dnit, órgão do Ministério dos Transportes, Luiz Antonio Pagot à revista Isto É de que dinheiro de obras do Rodoanel teria sido desviado para uso em campanha eleitoral de José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

À CPI, no entanto, Pagot disse ter sido mal interpretado pela revista e afirmou que houve pressão para aprovar mais recursos para obras do Rodoanel, mas que não se pode provar que o valor seria usado em campanhas. “Eu atribuo má fé, injúria [essas acusações]. (…) Não saio dessa casa sem entregar todos os documentos que comprovem o que eu falar. Eu pedi a Deus pra ser convocado nessa CPI.” Ainda no início da sessão, Vieira de Souza manifestou seu desagrado com o apelido Paulo Preto, usado, segundo ele, de forma perojativa.

A expectativa é de que o depoimento de Paulo Vieira de Souza dure até oito horas. Depois dele, será chamado a falar Fernando Cavendish, principal acionista da Delta. A construtora, segundo a PF, repassaria dinheiro a empresas de fachada envolvidas em desvio de dinheiro público. Na sessão dessa terça, 28, Cavendish foi mencionado durante o depoimento do ex-diretor do Departamento Nacional de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot. Segundo ele, o ex-senador Demóstenes Torres fez lobby em favor da Delta. A construtora é a principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Em meio ao escândalo, foi declarada inidônea pela Controladoria-Geral da União e ficou proibida de fechar novos contratos com órgãos da administração pública.

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